sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

78º - Acho melhor você sentar e falar tudo que você tem pra falar.

Aos poucos foi caindo minha ficha de tudo enquanto eu andava de um lado pro outro. Liz já sabia, ou ao menos suspeitava, já que ido ao médico. Talvez fosse por isso que ela estava nervosa, ou melhor, surtando nos últimos dias. Ela já sabia. Mas não devia saber a muito tempo, já que tinha saído e bebido e ela nunca faria isso. Meu coração apertou quando lembrei daquilo. Não havia feito mal pro bebê, né? 
Um bebê. 
Quase não acreditei quando essa palavra passou pela minha cabeça. Liz teria um bebê meu. Senti meu peito bater mais forte e uma felicidade me preencher por inteiro. Eu tinha a sensação leve, e boa. Dei um risada gostosa, livre. Me senti outra pessoa. Sentia que as coisas a partir daquele momento estavam mudando. Agora eu tinha uma pessoa dependendo de mim, meu filho. Agora tudo que eu faria seria por ele, agora eu tinha responsabilidades e tudo tinha ficado mais sério. Podia me casar com Liz talvez. Podia não, eu vou. Só precisava saber como ela estava se sentindo. 
Ela devia estar assustada, bem assustada. Não parecia feliz nos últimos dias, então devia estar nervosa, demais. No lugar dela eu também estaria, eu entendia. 
Peguei meu celular pra discar quando lembrei da conversa dela com a amiga no telefone. Ela precisava de dinheiro pra alguma coisa. Uma coisa bem ruim se passou pela minha cabeça e eu comecei a tremer buscando o notebook dela no quarto. Enquanto ligava parecia uma eternidade e eu me recriminei pro estar pensando que ela poderia ter pensado nisso. Liz nunca tiraria nosso bebê, a gente se amava, era nosso bebê. Sorri ao pensar nele, mas voltei a ficar sério quando o computador ligou e eu entrei no histórico. 
Ela não usava muito, as buscas ainda estavam ali e eu me surpreendi quando li um artigo sobre abortos. Me senti extremamente decepcionado. Fechei ele com força. Era pra isso que ela precisava do dinheiro. Era isso que ela falava com Aline. 
- Ela não pode fazer isso comigo. - Disse já discando a chamada rápida.
Mas tocou até cair e ela não atendeu. Tentei de novo, e de novo. E de novo caiu na caixa postal.
A medida que isso tudo me vinha a cabeça, que tudo se encaixava perfeitamente, eu fui ficando cada segundo mais nervoso e até me esqueci da felicidade de ter meu primeiro filho. Meu discurso contra ela já se reproduzia na minha cabeça e conforme caia na caixa postal minha raiva triplicava. 
- Aline, ela que está vendo isso com a Liz. - Disse discando os números da amiga que agora eu já tinha conseguido depois da ultima balada das duas. 
- Aline. - Disse assim que ela atendeu. - Olha, manda a Liz vir pra casa agora. 
- Eu não estou com ela, o que foi? 
- Você está com ela sim, acha que eu sou bobo? - Disse passando a mão no cabelo. - Eu não sei como não percebi antes, você estava falando com ela sobre aborto. Era pra isso que ela precisava de dinheiro. Manda ela vir pra casa agora que se ela fizer isso eu acabo com a vida dela. - Disse sem pensar. - Não quero nem saber se eu amo ela, você está escutando? 
- Luan, se acalma. Ela está grávida, não pode passar nervoso, e já anda nervosa. 
- Se acalmar? - Disse passado. - Vocês estavam falando sobre aborto! 
- Ela não vai tirar, ela não tem coragem. 
- Não devia se tratar de coragem! - Gritei. 
- Ela te contou?
- Não, nem isso. Eu descobri. 
- Conversa com ela, ela está assustada. 
- Não vou conversar com ninguém se ela não aparecer em casa agora, avisa ela. 
- Eu não sei onde ela es… - Desliguei antes dela terminar. 
- Eu vou matar a Liz. - Disse rápido e peguei um bonequinho de natal de vidro e joguei na parede. 
Ele se espatifou no chão. Sentir no sofá tentando respirar fundo e me acalmar, assustado com minha reação. Aline tinha razão, eu tinha que me acalmar, por que Liz não podia passar nervoso. 
Me telefone tocou e eu rapidamente atendi, sem olhar. 
- Oi. 
- Luan? - Rober chamou. 
- O que foi? - Perguntei. - Não é hora. 
- O que houve? 
Contei tudo pra ele, cada detalhe. 
- Não adianta gritar agora. - Ele disse. - A amiga dela disse que ela não tem coragem. Você precisa sentar, conversar e tentar entender. Eu sabia que ela estava grávida. 
- Estou decepcionado demais.
- Mas não pode fazer isso, gritar e tudo mais. Você vai fazer ela passar nervoso e vão estar brigando sem fundamentos, já que ela pode perder o bebê por isso mesmo. Está mais calmo? 
- Tentando. - Disse, respirando fundo. - Você tem razão. 
- Ela deve ter uma explicação, deve ter alguma respostas. 
- Não quero ouvir. 
- Vai ouvir sim, a menina é nova Luan, abre a cabeça. Quer terminar com ela? 
- Não. 
- Então só conversa, não se altera, toma um banho e respira e espera ela. 
Conversei mais um pouco com ela e decidi seguir seu conselho. Mas seria bem duro com ela. Agora tinha que cair a ficha que ela teria uma família, e não tinha que tomar atitudes impensadas. 

Liz chegou umas duas horas depois. Abriu a porta devagar, estava seria e ao me ver sentado no sofá ela já entendeu.
- Acho melhor você sentar e falar tudo que você tem pra falar. 
- Luan… - Ela começou a chorar. - Me desculpa. 
- Explica logo antes que eu desista. - Disse e ela se sentou um pouco afastada. 
- Eu… Eu descobri faz umas duas semanas. - Disse. - Eu percebi que tinha algo errado, algo me disse que eu estava grávida. Então fui e fiz exames de farmácia. - Ela já chorava. - Eu fiquei muito assustada, muito. Eu não sabia o que fazer. 
- Contar pra mim, que tal? 
- Espera, me entende. - Disse baixinho. - Eu fiquei nervosa, achei que tudo ia mudar, eu sai de mim, acho que foi uma notícia muito forte, me pegou de surpresa. Eu não sei o que se passou pela minha cabeça, só não me imaginava grávida. Nunca cuidei de bebê, eu não sei nem pegar, eu fiquei pensando que Deus tava dando uma criança pra alguém que não fazia nem ideia de como agir, eu não sei… - Disse mexendo nas mãos e chorando mais a cada segundo.
- Se acalma, não precisa ficar nervosa. - Disse me aproximando um pouco e ela respirou fundo. 
- Estou bem. - Sorriu fraco. - Eu pensei que não ia ser uma boa mãe, mas eu queria ser, achei que essa criança merecia uma boa mãe, ela é feita do nosso amor, essa mãe não era eu.
- Dai você pensou em abortar? 
- Não me passou pela cabeça a princípio. A ideia apareceu depois que eu ainda estava assustada e não tinha passado o medo. Pensei em contar, mas dai pensei na nossa vida, na sua vida, corrida, bagunçada, eu aqui, por amor, e tudo que a gente fez. É a minha faculdade. Eu não queria abrir mão da faculdade, eu pensei que tudo tinha acabado. Você consegue me entender? 
- Não Liz, não consigo. 
- Me deixa terminar? 
- Estou esperando. 
- E então quando eu descobri eu precisava sair, precisa respirar. E foi nesse dia que eu… 
- Você? - O medo percorreu minha espinha. - Fala tudo de uma vez, não mente mais por que nunca vou te perdoar se fizer isso mais uma vez. - Disse de cabeça baixa.
- Eu sai, daquela vez, que bebi e cheguei com a Aline, amanhecendo. 

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PS: Amores, desculpem a demora de hoje. Foi um dia corrido, e eu só parei agora. Mas hoje mesmo vou adiantar alguns capitulo e aproveitar que estou bem, por que eu tenho um problema de visão, uso oculos, e eu ferrei tudo e forçar a vista tem me dado dor de cabeça. Beijos...
PS2: Estou encantada com todo mundo comentando... ♥

77º - Liz estava grávida?

Maratona 3

Levantei num pulo disposto a descobrir o que estava acontecendo. Liguei pro táxi que a Liz sempre pegava, mas pra minha grande surpresa, não havia sido ele. 
Sabia que ligar pra ela não ia adiantar e eu iria perder a oportunidade, então só lavei o rosto e segui pro meu plano: vasculhar aquela casa. 
- Aonde a Liz pode ter escondido algo que ela não quer que eu veja? - Me perguntei parado pensando, mas não descobri a resposta. 
Decido então começar desde o começo da casa, pela sala. Vasculhei casa gaveta, ou local dentro dos móveis, atrás da TV, no cofre que eu guardava, o que particularmente era inútil já que ela nem a senha havia me perguntado. Embaixo do sofá, dentro das decorações de Natal que agora reinavam, e nada. Parti então pra cozinha, que era bem grande e incluía a área de serviço. Embaixo de cada coisa, dentro dos potes, tudo. É assim foi um a um em cada cômodo. Não teve um canto da casa que eu não olhei. Quando chegou na parte dos quartos e escritório, olhei cada papel que encontrei. Já fazia duas horas que estava na maratona quando me cansei e resolvi deitar um pouco, ainda pensando no lugar que podia encontrar aquilo. 
- Que loucura, eu nem sei o que estou procurando. 
Decidi relaxar e tomar um banho. Nosso banheiro era bem grande, tinha duas pias e bastante armários. Abaixei pra pegar uma toalha e parei pra pensar que não tinha olhado ali. 
- Você não vai achar nada aqui Luan. - Debochei, mas por via das dúvidas olhei em dentro de todas as gavetas.
Por fim, embaixo do armário. Havia só um papelzinho, bem pequeno, que peguei por via das dúvidas. Estava escrito Clear Blue, e parecia um bula de remédio. É claro que eu não fazia ideia do que era e fui até meu celular. 
Teste de Gravidez. 
Meu coração começou a bater mais forte e eu fiquei assustado. Corri até o banheiro e joguei dentro do vaso dando descarga. 
- Rober está enchendo minha cabeça isso sim. - Reclamei. - Impossível. 
Irei minha cueca e entrei no chuveiro, ligando no gelado, e fiquei ali por alguns minutos, tentando esquecer aquele papel. 
- Nem vou fala isso pra Liz. - Disse baixinho. - Deve ser de alguma amiga dela. 
Apaguei aquilo da minha mente de uma forma que nem eu sabia como e voltei pra cama. Pedi algo pra comer, imaginando que Liz não fosse voltar. E ela não voltou mesmo. Almocei sozinho e estava lavando a louça quando o telefone tocou. 

Liz POV. 

Levantei bem cedo pra ir até a consulta. Fiquei com medo dela contar pro Luan, mas Aline me garantiu que não podiam fazer isso. Menti pra ele mais uma vez antes de sair e me senti mais uma vez mal por isso. Aquela gravidez já estava me enlouquecendo. 
Assim que entrei na sala, a doutora Camili se surpreendeu. Me cumprimentou e perguntou de Luan. 
- Ele não veio hoje? - Ele sempre ia comigo e fazia todas as perguntas que eu não ia fazer nunca. 
- Não. - Mexi na mão nervosa e ela percebeu. 
- Tudo bem Liz, sente e vamos conversar. Me explica o que está acontecendo e por que Luan não sabe que você está aqui. 
- Como sabe que ele não sabe? - Me sentei. 
- Por que ele sempre vem e você está nervosa. Qual o motivo dele não saber? 
- Eu estou grávida. - Comecei a chorar. - Mas estou muito assustada, eu não sei o que fazer agora. 
Ela me olhou sem reação. 
- Você fez o teste? 
- Só de farmácia, mas eu tenho certeza.
- Você acha que o Luan não vai gostar? 
- Ele vai amar, mas não tem haver com isso. Eu queria ir pra faculdade, tem muitas coisas que eu tinha planejado pra minha vida e não tinha um bebê agora no meio desses planos. 
- Mas ele veio. 
- Eu… Não quero ele. 
- Liz… - Ela suspirou. - Você não quer ou está com medo? 
- Eu não sei. - Disse sincera. 
- Vocês têm um amor lindo, não devia estar assustada assim. Você é muito nova, e por isso teve essa reação. Ele é adulto, tem responsabilidade e você sabe que vai encarar isso de uma forma seria como tem que ser, e é esse seu medo, você só não está preparada. Eu te entendo. - Ela pegou sua mão. - Se você contasse pro Luan, ele ia te ajudar muito com isso, te dar a segurança que você está precisando. 
- Eu não acho que estou preparada. 
- Uma mulher já nasce preparada, ela fica pronta no momento em que sente o coração do bebê bater. Ou antes disso. - Ela sorriu pra mim. 
- Eu pensei em tirar. 
- Liz, não faz isso. - Ela disse seria. - É ilegal e as clínicas que fazem isso não são apropriadas. Elas não vão cuidar de você e nem pensar em você. Elas não seguem leis. Você não é nada na mãos deles. Você não quer isso pra você, quer? - Neguei. - Só te dê um tempo, conversa com ele, tenho certeza que toda essa angustia vai passar. Agora você vai me contar tudo que andou fazendo nos últimos dias. 
Meu coração gelou. Tinha medo de ter feito algo ao bebê. 
- Você fez algo que precise sabe? 
- Bebi. - Disse sincera. - Bastante, mas um único dia. 
- Não faça mais isso. 
- Não fiz mal pra ele né? - Perguntei levando a mão na barriga. 
- Vamos ver nos exames. - Ela disse. - Mas só de saber que você está preocupada isso já é importante. - Disse. - Mostra que você não quer tirar esse bebê. Mas alguma coisa? 
- Acho que não. - Disse. 
- Você parou com a pílula? 
- Parei. 
- Não tome mais. 
- Como engravidei tomando ela, certinho? 
- Não é 100%, falei isso pra vocês. Mas você tomou algum remédio diferente? Antes de engravidar.
- Tomei antibióticos. Eu fiquei meio doente quando Luan estava ruim do acidente. Faz uns 3 meses. 
- Então foi isso. 
- Eu não sabia.
- Ficar nervosa também faz mal. Tenta ficar calma. Vem aqui. - Me chamou e me preparou pro exame de ultrassom. Ela disse que talvez já pudesse ver algo, mas se não fosse possível, eu faria o exame de sangue. Mas não deu outra, o bebê já estava grandinho, dois meses e meio. 
- Já faz tempo Liz, mas a pílula mascarou. 
- Ele vai ficar bem? - Perguntei. 
- Vai. - Ela sorriu pra mim e não me aguentei também. - Está com um crescimento bom. 
Ela me falou mais algumas coisas e mostrou uma manchinha na tela. Era meu bebê. Fiquei meio desnorteado quando sai e fui me trocar. Tinha caído a ficha, e meu pânico aumentou. Só assentia as recomendações dela e fiz um exame antes de sair, ficaria pronto no dia seguinte. Só pra garantir. Comecei a chorar antes de sair na clinica, agora não tinha mais como fugir. 

Luan POV. 

Era da clínica da Liz, e não deixei de atender estranhando. 
- Oi. 
- Luan? - A secretaria falou. - É da clínica da Dra. Camili. 
- Oi, pode falar. 
- Faz um tempo que a Liz saiu daqui nervosa, e a Dra pediu pra avisar o senhor. 
- Nervosa? 
- Isso. Ela não chegou em casa? 
- Não, mas por que ela saiu nervosa?
- Eu não sei senhor, isso cadê a você conversar com ela. 
- Obrigado por avisar. 
Me despedi e desliguei. Me sentei na mesa da cozinha e meu coração começou a bater forte. Minha mente foi pra conversa com Rober no dia anterior e pra pesquisa na internet. Liz estava grávida?
Liz. Está. Grávida.

Posto depois de 16 comentários. Esse é o ultimo da noite amores...
Amores, espero que estejam gostando... Entendam a Liz, apenas... 
PS: MUITO FELIZ! Hoje é dia 18, e nós já passamos as visualizações do mês passado! Obrigado!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

76º - Serviço de táxi?

Maratona 2

Luan POV. 

As coisas ficaram ainda mais estranhas quando Liz mudou da noite pro dia naquela semana, mas começou a parecer suspeita pra mim. Estava me agradando, não tinha pedido mais pra sair, tudo voltando ao normal. Ou quase isso. Agora ficava trocando mensagens com Aline, no pouco tempo que passamos juntos naquela semana. Ela já havia ligado pro seus pais e avisado sobre o fim de semana no Rio. Parecia animada, mas ainda fiquei com um pé atrás. 
Quando acordei na manhã de quinta-feira ela não estava na cama. Escutei uns barulhos estranhos no banheiro e levantei com tudo ao perceber que ela estava vomitando. Bati na porta nervoso. 
- Liz, você está bem? 
- Só um mal estar. - Disse com a som estranha. - Comi algo que me estômago não gostou.
- Faz horas que a gente comeu. - Disse estranhando e logo escutei ela com a pia ligada escovando os dentes. - Abre pra mim por favor. 
Ela abriu e quando entrei já terminava de escovar os dentes.
- Estou ótima. - Disse olhando pra mim. 
- Volta pra cama. 
- Não, estou bem amor, estou com fome. 
- Fome? - Perguntei e ela afirmou. - Vou ir preparando a nossa comida. 
Fui pra cozinha ver algo pra gente comer achando estranho aquilo, mas não falei mais nada, só fiquei na minha tentando arrumar uma saída pro buraco que ela tinha metido nosso relacionamento. 

Liz POV.

Assim que Luan saiu do quarto eu me senti mal por mentir pra ele mais uma vez, mas o medo não me deixava contar. Talvez eu só estivesse brincando de ser adulta e ter uma casa, um quase casamento. Eu acho que não tinha maturidade pra isso. Mas agora era tarde demais. Sentei e respirei fundo, pegando o telefone. 
- Oi Liz, e aí? 
- Não vou fazer lá. - Disse na lata. 
Enquanto não decidia o que faria, estava buscando a nossa última opção, a clínica. Uma amiga da Aline indicou um lugar e ela havia ido comigo na tarde anterior e eu tinha que dar a resposta. Era um lugar horrível, não tive coragem.
- Não vai fazer lá ou não vai fazer? - Perguntou. 
- Não me pressiona. - Disse. 
- Você tem que tomar uma decisão. 
- A consulta da minha médica é amanhã. Até lá eu tomo. - Havia marcado uma consulta na ginecologista que ele conhecia sem o Luan saber. 
- Você já sabe a decisão que tomou. 
- Eu não tomei nada. 
- Tomou sim. Agora só falta falar com ele, você não vai ter coragem, então fala logo e acaba com isso, aceita que você vai ser mãe.
- Estou com medo. 
- Liz, pra fazer você não teve medo. - Disse. Aline era bem decidida. - Se ele descobrir vai ser pior. Cadê ele?
- Está na cozinha. 
- Vai lá e conta. Não entendo, é o cara que você ama, se fosse qualquer um, tudo bem. - Ela respirou. - Quer ir naquele outro lugar hoje quando ele for pro escritório?
- Não tenho dinheiro pra pagar Aline. Luan não me dá R$ 30.000 em mãos pra sair gastando. E nem meus pais vão me dar.
- Você fica buscando desculpas. - Riu. - Aceita e conta pra ele.
- Preciso pensar melhor. 
- Pensar no que?! - Disse. - Você não vai fazer o aborto. Não temo que pensar. Vai ser burra de perder ele ainda por cima? 
- Não, não quero isso. 
- Então vai amanhã na médica, pega esse exame e leva pra ele. Vocês vão ser felizes Liz.

Terminei de falar com ela e estava indo pra cozinha quando vi que Luan já tinha arrumado a mesa. Sentei com ele e comecei a comer, meio em silêncio, me sentindo meio culpada. 
- Hoje é minha folga. - Disse. - Eu acho que vou sair com os meninos, tudo bem? 
- Tudo. - Ela disse. 
- Você não liga? 
- Não, só não vou cuidar de ninguém bêbado. - Disse rindo. 
- Eu cuidei de você. E ainda estou avisando… - Ele jogou na minha cara. 
- Estou brincando. - Disse fechando a cara e ficando brava. 
- Mas eu não. - Ele falou. - Você não pode me cobrar nada. Até por que não me deu explicações de nada. Ou deu? 
Aquilo era um tipo de teste e eu não havia passado.
- Você me faz perder a fome. - Disse começando a me levantar e ele respirou fundo. 
- O que é que você não tem dinheiro pra pagar? - Minhas mãos tremeram. 
- Anda ouvindo minhas conversas? 
- Não, escutei só isso e sem querer. Tem algo pra me esconder? 
- Não. - Disse firme rezando pra não gaguejar. 
- Se está precisando de algo é só pedir. 
- Não preciso de nada. - Disse saindo da cozinha a passos rápidos. Ele estava me pressionando, talvez desconfiado, e eu não queria me entregar. 

Luan POV. 

É claro que eu estranhei toda aquela história, mas resolvi deixar quieto pra gente não brigar mais. Estava testando ela sobre os meninos, e ela caiu, estava diferente, a minha Liz ia me pedir pra ficar. Ela estava me evitando e escondendo algo de mim. 
- Liz. - Chamei na porta do quarto. - Estou saindo. 
- Tudo bem. - Ela gritou sem sair. 
- Vou sair com os meninos depois. 
- Tudo bem. - Foi só o que ela disse e não insisti. Ia sair mesmo com eles e esfriar a cabeça. 
Fui pro escritório de carro. Tive uma pequena reunião sobre alguns projetos mas não demorei pra ser liberado e Rober foi de carro comigo pra sua casa. 
- E a Liz? 
- Cada dia mais estranha. - Disse. - Fiz o teste, que te falei, ela me mandou ir e quando falei da bebedeira dela no outro dia saiu brava da mesa. 
- Prensa ela na parede cara, e resolve isso. 
- Não quero mais arrumar brigas.
- O que você acha?
- Que ela tem outro. - Falei e ele revirou os olhos. - Cara, o que mais pode ser? 
- Ela não ia te trair. 
- As vezes não traiu mas está com vontade e isso que está deixando ela arrisca assim. 
- Loucura. 
- Ela está me escondendo alguma coisa. - Disse parando no sinal. - Estava vomitando hoje e disse que não foi nada. 
- Vomitando? - Ele pareceu pensar. - Ela não está grávida né? - Comecei a ri.
- Claro que não, a Liz é muito nova. - Ri. 
- Pode ser cara. 
- Não, não pode. Agora não, eu até queria, mas ela é muito novinha.
- E se aconteceu? 
- Rober, para de colocar coisa na minha cabeça, que eu fico com vontade e você não vai me dar um filho né? - Falei ironico. 
- Luan, é sério. Vocês usam camisinha né?
- Não, mas sem chance. Ela toma remédio. 
- Fica de olho. 
- Está querendo ser padrinho já? 
Ela ficou rindo e a gente acabou saindo. Distrai minha cabeça naquela noite, mas não cheguei tarde, 01h00 já estava em casa e Liz já dormia. 

Acordei no dia seguinte com Liz fazendo barulhos no quarto bem cedo, umas 08h00. Abri os olhos devagar e ela tentava não me acordar. 
- Amor? - Chamei e ela veio até mim arrumada. - Onde você vai? 
- Aline vem me pegar, vou sair com ela. 
- Aline?! Mas por que tão cedo? 
- Ela está se sentindo triste, vou ajudar. - Beijou meu rosto. - Eu te amo. 
- Aline não pode se sentir triste mais tarde? 
- Não. - Ela riu e beijei seu rosto. - Ela deve ter chegado já. Beijos. 
- Eu te amo também. 
Respirei fundo e voltei a dormir. Até que me surpreendi com uma mensagem no meu celular uns 30 minutos depois. Liz não sabia, mas tudo que ela pagava com o cartão que dei pra ela depois que vim morar com ela, vinha pro meu celular, por questão de saber onde aquela louca estava depois do sumisso da última vez.
“Seu cartão foi usado em um serviço de taxi.” 
Serviço de táxi?
O alerta na minha cabeça começou a piscar quando lembre dela dizendo que Aline estava vindo buscar ela.
Ela mentiu. 
Eu não podia mais deixar aquilo passar de hoje. 

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75º - Você não tem nada pra me dizer?

Maratona 1

Liz POV. 

Acordei com muita dor de cabeça, perdida, e aos poucos fui lembrando do que tinha acontecido. 
Que merda eu tinha feito! 
Sabia que tinha errado e feio, e quando Luan soubesse te toda história ele ia me torturar por horas antes de me matar. Eu realmente havia sido muito irresponsável, podia ter feito mal a mim mesmo e aquilo pode ter prejudicado o bebê. Não queria causar mal a ele, queria? 
Lembrei do Luan me dando banho e levantei pegando remédio pra mim, já que ele devia estar muito bravo pra não fazer isso por mim. Quando pisava minha cabeça parecia que ia explodir. 
Pensei muito antes de sair do quarto. Eu não sabia como agir e acabei decidindo por ignorar, pra acabar não contando pra ele. Estava confusa, com medo e acuada. E por isso que eu tinha bebido. Só precisava esquecer. Escutei barulhos na cozinha e quando cheguei, com medo do que ia ouvir, ele estava almoçando. Havia pedido comida e ela estava separada em cima da mesa. 
Seu olhar era triste e profundo, devia ter dormido mal e me senti horrível. Ele nem me olhou direito, só virou os olhos e voltou a comer em silêncio. Me servi e sentei, também em silêncio. Queria perder desculpas, mas não consegui. Eu estava com tudo tão preso dentro de mim, que sentia que ele não me entenderia. 
- Você não tem nada pra me dizer? - Perguntou assim que terminou de comer e me olhou. 
Eu foi ainda mais burra e só neguei com a cabeça.
- Pois saiba que eu tenho e você vai ter que me escutar. - Ele me olhou sério e eu só continuei a comer. - Primeiro quero que saiba que é livre pra fazer o que você quiser. Quer beber, bebe. Quer sair sem avisar, sai. Mas seu livre arbítrio não tira a minha magoa. Você não teve um pingo de consideração pro mim ontem, em avisar ou atender Meus telefonemas. Eu fiquei preocupado, muito preocupada. Você chegou bêbada em casa, você podia ter sido assaltada, sequestrada, ou nem quero mais imaginar o que. Se eu falo pra você não beber quando eu não estiver junto, é justamente por isso. Você não tem noção das coisas. Sua irresponsabilidade passou dos limites e eu nem sei medir o quando estou chateado. E sei que se você tivesse me ligado ao agora, eu ia embora e não ia ter volta. Então agradece sua amiga que teve a luz de te trazer pra cá. Você não vai olhar pra mim? - Neguei com a cabeça. - Pra mim já chega. - Disse respirando fundo. - Era minha folga hoje, queria passar com você. Mas não. Vou pra casa dos meus pais e não me espera pra jantar. - Ele disse e levantou da mesa. Senti meus olhos molhados enquanto ouvia ele pegar suas coisas e sai batendo à porta com força.
Eu não podia perder ele agora, se não eu não ia aguentar passar por aquilo. Mas também tinha medo de contar. 
Quando ele foi embora eu larguei a comida e comecei a chorar. Precisava falar com alguém e decidi ligar pra Aline. Eu ainda não tinha contado, estava me sentindo perdida, não sabia o que ia fazer. 
- Já acordou ou é o Luan dizendo onde vai ser o enterro? - Perguntou assim que atendeu.
- Brinca mesmo…
- Você está viva! - Disse fazendo graça. - Estava preocupada. Não sei o que te deu ontem. 
- Estou grávida. - Ela ficou em silêncio e começou a gaguejar até conseguir falar. 
- Como que aconteceu isso? 
- Você é bem menos inocente que eu, não me venha com essa.
- Não, eu sei. Olha, digo, você toma remédios. 
- Eu sei, estou nervosa com isso. - Voltei a chorar. - Luan saiu de casa batendo à porta e não sei se ele vai me desculpar quando descobrir. 
- Olha, a culpa disso não é só sua, ele tem uma boa parcela também. 
- Ele vai surtar com essa criança. - Ri. - Não é isso. 
- O que é então? 
- Eu estou tão confusa. Ele vai me matar quando descobrir que bebi justamente sabendo que estava grávida, que podia fazer mal pro bebê, ele vai querer me jogar do avião dele. 
- E por que você fez isso? 
- Por que não quero esse bebê agora! - Disse pela primeira vez aquilo em voz alta. Senti meu coração apertar. - Precisava esfriar minha cabeça, respirar. Eu sou nova, já tive tantas mudanças em pouco tempo, não sei se estou preparada pra lidar com isso, pra ser mãe, tem a minha faculdade, acabou tudo. 
- Não precisa acabar a faculdade.
- Luan não vai me deixar fazer. 
- Luan não manda em você. 
- Eu não quero isso pra mim agora, não vou saber lidar com isso, estou assustada.
- Então tira. - Ela disse baixo e eu senti meu corpo tremer. Aquela era uma opção? 
- Aline, ele nunca vai me perdoar.
- Então senta e fala com ele. Fala tudo que me falou, pra ele. Ele vai saber como te ajudar. Luan não é ruim assim, ele é incrível. - Ela riu. - Você sabe que é verdade. Falei pra abortar, por que eu não sou contra, você saber disso, mas acho que devia falar com ele. Luan te entende como ninguém. Vocês dois tem que decidir o que vai ser melhor pros três agora. Ele tem o direito de saber, mesmo sendo autoritário como ele é.
- Não sei. E se ele me proibir a faculdade? 
- Pensa com cuidado. É um filho, não um cachorrinho. E se decidir, abortar é uma solução. Só tem que ficar ciente das consequências e responsabilidades depois.
Aline era feminista, a favor do aborta. Eu não praticava o feminismo, afinal eu não importava em ser a mulher mais antiga, mas defendia o direito da mulher de escolher aquilo. Não era a minha opção, mas as mulheres tinham que decidir que era escolha delas. Nunca aprovei o aborto, mas iria marcar ele no fim da minha lista de soluções. Até ter coragem de falar pra Luan. Tinha que melhorar com ele também, por que eu não queria perder ele. Nunca. 

Perdi a tarde toda chorando no quarto. Estava sem fome, apesar de saber que não comer só ia piorar quando Luan descobrisse. Não ia jantar, já que ele já tinha avisado que não viria comer comigo. 
Era quase 20h00 quando escutei barulhos na sala. O jeito de andar eu já sabia que era do Luan, conhecia até seus passos em casa. Segundos depois ele apareceu sorridente e eu ergui a sobrancelha olhando sem entender. 
- Olha, não vou pedir desculpas por que eu não fiz nada de errado, mas eu não vou deixar a gente acabar assim, tudo bem? - Afirmei. - Levanta, a gente vai comer e esquecer tudo isso. Acho que você precisa ver seus pais, o que acha? Tenho um show no Rio, vai ser meio corrido, mas acho que podemos ficar o dia todo com eles no domingo. 
Ainda estávamos no início da semana. 
Caminhei até ele voltando a chorar, de culpa, medo e angústia. 
- Vai passar. 
- Eu te amo. 
- Eu também te amo neném.

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74º - O que eu faço agora?

Liz POV.

Eu estava um pouquinho, ou talvez muito preocupada. 
Andava muito impaciente, sensível, e é claro que tinha algum motivo pra isso. Luan estava sofrendo, por que quando eu via já estava jogando pedras nele. Estava me sentindo mal pela manhã também, sensações diferentes de enjoo, essas coisas, e por sorte ele não percebeu, já que estava bem enrolado nos últimos dias. Só que enfim minha ficha havia caído e eu me toquei que tinha algo errado. Agora estava no banheiro do meu quarto com Luan, sozinha, com medo de fazer o teste de gravidez. Minha mãe estava certa, quando dizia que as mulheres sentiam quando tinha algo de diferente, mas eu queria que ela estivesse errada. Muita coisa se passava pela minha cabeça. 
- Vamos lá Liz, coragem. - Disse respirando fundo e enfim criando forças pra acabar com aquela dúvida. 
Positivo o primeiro. Positivo o segundo. Positivo o terceiro. 
Eu estava mesmo grávida.
Sentei na cama chorando, eu sabia que Luan não me largaria, mas eu não queria, não era o momento. Eu não sabia nem cuidar de mim. Estava assustada com tantas mudanças. Não sabia se seguraria mais essa. Isso não podia estar acontecendo comigo, eu tomava remédio e me bateu o desespero de Luan acusar que eu não estava tomando. Mas eu estava, certinho e não sabia como isso tinha acontecido. 
- O que eu faço agora? - Me perguntei. 
Decidi que não contaria ao Luan até saber exatamente como lidar com aquilo. 
Luan não ia voltar hoje, e ficar naquela casa me enlouqueceria. Então, peguei o telefone e liguei pra Aline. 
- Liz? 
- Posso dormir com você hoje? 
- Está tudo bem?
- Sim, está. Vai ficar. 
- Acho que vou numa festa com um amigo, quer ir? - Luan me mataria, mas eu tinha que distrair minha cabeça. 
- Eu vou. 

Luan POV. 

Liz não me respondia desde a hora que acordou, e não me atendeu. Estava preocupado com ela, já que estava sempre estranha agora.
- Está pronto? - Chegou Rober de volta ao camarim. 
- Ainda não. - Disse deixando o celular de lado. - Estava tentando falar com a Liz. 
- Não conversaram sobre aquilo? 
- Mais ou menos. - Fiz careta. - Mas ela não me atende. Estou preocupado. 
- Faz o show e vai pra casa, e boa. Relaxa. Ela só deve estar numa crise dessas dela. 
Ajeitei minha gravata. 
- Vamos cara. - Sorri fraco. 
- Isso, bota um sorriso no rosto e depois a sua vida você acerta. 
Bati no seu ombro devagar e fui cumprir minha missao. 

Cheguei em casa era quase 05h00, já que o show não era longe. Abri a porta devagar e entrei com calma pra não acordar a Liz. A casa estava arrumada, mas quando entrei no quarto me surpreendi com a cama arrumada também. Comecei a chamar por Liz e olhei até no quarto do Marquinhos, mas na encontrei. Ela não estava em casa e quase tive um infarto ao confirmar isso pra mim mesmo. 
- A Liz não está em casa? - Perguntei pro porteiro no interfone. 
- Não seu Luan, ela saiu depois do almoço e não voltou. 
- Você sabe com quem? 
- Uma daquelas meninas que vem aqui às vezes. 
- Ah obrigado. 
Depois de me despedir e desejar boa noite eu desliguei e quase joguei o aparelho na parede de raiva. Tornei a ligada ela e deixar mil mensagens, mas já sabia que era inútil. Ela nem tinha me avisado que sairia. Sentei na cama e respirei fundo, passando a mão na cabeça e voltei a ligar. Não era hora dela estar fora de casa. A cada segundo que passava minha raiva só aumentava, junto com a preocupação. Não sabia o que fazer e não tinha o telefone das amigas dela. 
Uma hora depois já estava jurando que ela não sairia mais com Aline. E nem com ninguém, e se não gostasse que voltasse pro Rio. Andava de um lado pro outro, impaciente. Juro que se soubesse onde ela estava eu ia buscar pelos cabelos. 
- Calma, ela só dormiu na casa da Aline. - Dizia pra mim mesmo mas meu coração me dizia que tinha algo errado. 
Acho que já podia ter ido até o Rio de Janeiro quando a porta se abriu e escutei a risada dela mil vezes mais escandalosa. Aline entrou com ela e mais um cara atrás e levou um susto ao me ver. 
- Luan? - Ela meio que escondeu Liz atrás dela e a mesma parou de falar na mesma hora. 
- Isso mesmo. - Disse sério e cruzei os braços. - Liz, eu estou te vendo. - Disse e ela saiu me olhando sorrindo, mas seu estado era horrível.
Estava bêbada , descabelada e o vestido já tinha subido quase tudo. Meu sangue ferveu, ela tinha bebido. Seu salto estava na mão de Aline e a bolsa também. 
- Ela bebeu um pouco. - Disse. 
- Um pouco Aline? - Disse bravo. 
- Desculpa, não consegui segurar ela. 
- Onde vocês estavam? - Falei mais alto. 
Liz se aproximou. 
- Não grita. 
- Devia era ir embora, olha pra você! - Respirei fundo e ela ficou quieta. - Fiquei preocupado, achei que tinha acontecido alguma coisa. Irresponsabilidade… - Disse pras duas, ignorando o cara que nem conhecia. - Você nem idade pra isso tem. E custava atender o telefone? 
- Estava com ela. - Aline disse me estendendo as coisas dela. - Ela ia dormir em casa, mas ficou repetindo que você ia brigar com ela então resolvi trazer ela pra cá. 
- Agradeça. - Disse a Liz que se manteve calada e me virei pra Aline. - Se ela me ligasse só amanhã, eu acabava tudo. 
- Sinto muito. - Ela falou, um pouco menos bêbada que a minha namorada. 
- Não tem problema, você conhece ele? - Perguntei. - Pode dormir aqui. 
- Não, é meu amigo, ele vai me levar. 
- Tem certeza? 
- Sim. 
Estendi a mão pro cara agradecendo e eles foram embora. Me virei morrendo de raiva pra garota sentada no sofá me olhando como se não entendesse nada. 
- Você passou dos limites Liz. - Disse. - Mas não vai adiantar eu falar nada agora. - Disse e peguei ela pelo braço. - Vamos tomar banho. 
- Não quero. - Disse fazendo manha. 
- Não estou perguntando se você quer, estou mandando. - Puxei novamente e ela veio. 
Abri o chuveiro no gelado já me preparando pra reclamações, já que ela odiava. 
- Vira de costas. - Mandei e desci o zíper do vestido.
Não deixei ela nua, estava com raiva demais pra isso. Peguei ela pelos dois braços e coloquei de uma vez embaixo da água. Deixei ela lá, e quando voltei depois de alguns minutos ela já parecia diferente. Me olhou meio envergonhada e estava toda encolhida. 
Ajudei ela a lavar o cabelo e depois ela mesmo saiu do banho e eu tomei uma ducha rápida pra relaxar. Quando voltei ao quarto ela já estava trocada e calada na cama. Fui pro closet e coloquei apenas uma cueca. O verão já tomava conta de SP, e com a adrenalina que eu estava nunca sentiria frio. Quando voltei ao quarto, ela já dormia. E eu descido dormir na cama do outro quarto, e pensar o que ia fazer. 

Posto depois de 12 comentários. Hoje tem uma maratona, a noite, por livre e espontânea pressão. Eu e uma das leitoras, chamada Isabella fizemos uma aposta. Se ela adivinhasse o que ia acontecer, ganhava uma maratona pra vocês. Ela adivinhou no ultimo segundo, então a noite, a partir das 20h, tem um capitulo por hora, se tiver comentários, por que é uma fase importante da fanfic e eu quero muito saber o que vocês estão achando... Beijos.
PS; Ontem não postei dois por que estava adiantando a maratona, espero que gostem.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

73º - O que esta acontecendo com você?

Dedicado a Maria Clara, que eu esqueci de dedicar no aniversario dela. Esses ultimo dias foram uma loucura, me desculpa querida! Parabéns atrasado, feliz aniversario e que você realize todos seus sonhos!

Minha vida virou uma loucura da noite pro dia. Eu tinha acumulado os shows por causa do acidente, e com as férias de Liz imaginei que ela viesse comigo, mas não. Estava fazendo shows no meio da semana, e programas, matérias, chegava a parar em casa duas noite na semana e no máximo uma tarde de folga. Só queria que acabasse logo pra mim passar pelo meus 3 dias com ela e com a minha família. 
No começo eu achei que ela não estava indo por causa da correria. Liz não era acostumada e eu entendia isso, mas aos pouco as coisas começaram a ficar estranhas. Ela estava extremamente irritada, com muita coisa. Às vezes estava bem, deitada comigo em uma das noites que passava em casa e do nada ela ficava irritada por um comentário pequeno meu do qual ela entendia errado. Ela nunca havia sido assim comigo, o humor dela estava uma loucura e por um lado eu até agradecia por não estar em casa, sabia que aquilo ia acabar desgastando a gente. Estava tentando imaginar que era só uma fase de mudanças que ela estava passando, que tinha haver com o resultado da faculdade. Eu só rezava todos os dias pra ser passageiro e tentava ter paciência. 

- Brigaram de novo? - Rober disse quando me pegou em casa pra mais uma viagem e ela não desceu pra se despedir. 
- Não sei o que está acontecendo… - Falei passando a mão pelo cabelo. - Ela ficou brava por que eu disse que estava corrido esse fim de semana. Disse que iria vir junto, mas eu percebi e estava falando isso pra ela não vir, que queria trair ela nos shows… - Disse confuso. - Tudo que eu queria era que ela fosse conosco. 
- Mas do nada? 
- A  gente estava bem essa manhã, mas ela anda muito irritada, se magoando com nada sabe? Se eu deito um milímetro a mais longe dela na cama é capaz dela surtar. 
- Mas Liz sempre foi tão calma. - Afirmei. - Deve ser TPM.
- E é exatamente por isso que eu não sei o que está acontecendo. Só pode ser isso, mas tá durando tempo demais. 
- Você disse que ela andava nervosa por causa da faculdade. 
- Eu espero que seja mesmo isso por que eu não sei mais o que fazer. 
Foi uma viagem até que tranquila. Dormi tentando esquecer um pouco tudo que estava acontecendo. Era quase Natal e eu não queria passar daquela maneira. A gente ia pra chácara, acabei chamando seus pais também. 
Quando cheguei no Nordeste fui pro quarto descansar um pouco, mas acordei assim que dormi com a ligação dela. É claro que eu estranhei, final, ela estava bem brava quando sai. 
- Alô?
- Oi amor. - Disse docemente e eu quase não me segurei e questionei. - Você não me ligou, chegou bem? 
- Cheguei. - Falei relutante com medo dela explodir a qualquer momento. - Você está bem? 
- Ótima. Queria te pedir uma coisa.
- Pode falar Liz. 
- Os meus amigos vão sair hoje, eu queria ir junto. - Como eu já estava tenso com aquela história, meu coração deu um solavanco. 
- Onde? 
- Na woods. 
- Ah Liz… - Disse passando a mão pelo cabelo e buscando no fundo do peito a coragem de ser aqueles namorados bem controladores e negar. - Eu não gostaria. 
- Por favor. - Pediu.
Eu não queria proibir ela e nem arrumar mais uma brigar, ela respirei fundo. 
- Tudo bem, mas por favor, lembra de tudo que eu já te falei. 
- Já sei amor. Obrigado. 
- Tudo bem Liz, eu te amo. - Falei meio chateado com a situação. 
- Eu também te amo, muito. 
Ela falou mais algumas coisas, mas ao me ver responder bem monótono, desistiu e deu uma desculpa desligando. Joguei o celular na cama com raiva e voltei a dormir. 

A noite, quando cheguei do show e depois de tomar banho, eu abri meu Instagram e Liz havia postado uma foto com os amigos na balada. Ela estava bem perto do Lucas e eu já fiquei irritado com isso. 
Precisando de um tempo pra pensar sobre tudo, eu não liguei pra ela. Ela me ligou algumas vezes e eu também não atendi. Precisava entender tudo aquilo, precisava me arrumar no meio da bagunça.
Quando cheguei em casa na segunda de manhã, eu estava disposto a conversa com ela, mas ainda estava irritado e chateado, então eu sabia que ia dar em briga. E não queria. 
Ela ainda dormia e eu pensei em sair e comprar nosso café, e foi isso que fiz. Trouxe muitas coisas gostosas pra comer e assim que estava me preparando pra ir acordar ela, ela apareceu, já emburrada comigo. Não tinha uma aparência boa também, parecia abatida.
- Você está bem?
- Se é possível estar bem com seu namorando te ignorando. - Respirei fundo. - Sabia que você não queria que eu fosse por algo. - Se sentou na mesa e eu fiquei só olhando e me pedindo paciência. 
Ela não era assim, algo estava errado, ela estava com algum problema. 
- Não tem nada disso Liz, não bota coisa na sua cabeça. - Disse com calma e beijei sua testa mesmo ela se afastando. - Eu estou chateado com algumas coisas, achei melhor dar um tempo, pra não acabar chateando você. 
-  Você não tem que fazer isso comigo. - Disse já começando a chorar. 
- Liz, se acalma, passou, certo? - Disse confuso. - Podemos conversar sobre isso depois. 
- Você ficou bravo por que eu sair! - Ela me olhou e começou elevar o tom. - Você me deixa aqui o tempo todo, não tem direito de reclamar. 
- Você podia não ficar tão colada no Lucas naquela foto né. - Me arrependi na mesma hora. Não queria levar aquilo pra uma discussão de ciúmes, por que quando era isso, eu perdia a cabeça fácil. 
- Quer saber, eu cansei! 
- Cansou do que? - Disse batendo na mesa. - Quem tem que cansar sou eu! O que esta acontecendo com você? 
- Você é um groso, um idiota! Esta bravo por causa de ciúmes, por que eu não fui com vocês, mas quem devia estar era eu que fui traída! - Ela se levantou e se trancou no quarto batendo à porta com muita força.
Achei melhor não ir até ela. Precisava esfriar minha cabeça também, e ver como ia resolver aquilo. 
Tentei sair e esfriar a cabeça, mas assim que cheguei até meu carro eu voltei pra trás. Não podia estragar tudo, eu tinha que ficar ali com ela e é me acertar com ela. Era assim que as coisas deviam funcionar, era assim que tinha que ser. Eu não podia deixar ela pensando as coisas que devia estar pensando. 
Voltei pro apartamento e tentei bater na porta com calma. 
- Liz, neném, vamos conversar. - Ela não me respondeu e eu respirei fundo. - Eu não te trai, não sei da onde tirou isso, sou tão louco por você que nunca olharia pra outra mulher dessa forma. Não sei porque você está se sentindo insegura, sei lá. 
Pensei em falar sobre as crises delas, mas ela não ia abrir a porta, não era o momento. 
- Por que não abre a porta pra mim te dar um beijo? Eu sei que as coisas estão corridas, mas é só mais um pouco, vou ter férias no seu aniversário, podemos ir visitar seus avós… Eu vou poder te dar toda atenção do mundo. 
Ouvi seus passos e em seguida ela abriu a porta. Pulou no meu colo me abraçando e eu peguei ela pela cintura e levei até a cama. 
Acariciei seu rosto cheio de lágrimas e beijei ela com calma. E então fizemos amor. Era a melhor coisa do mundo, se reconciliar fazendo amor. 

Posto depois de 12 comentários. ♥ Se eu conseguir, pode ser que tenha mais um hoje
PS: O próximo tem muitas surpresas pro nosso casal e reviravoltas! 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

72º - Inseguro?

- Então, estava tocando o Matheus e Kauan. - Ela disse animada.
- Qualquer dia desses eu te apresento pra eles. - Falei entediado jogado na minha cama de hotel. 
- Foi legal amor.
- Fico feliz que se divertiu. - Sorri. - Tem certeza que não preciso me preocupar?
- Amor, estou bem, em casa, com o que precisaria se preocupar?
- Ninguém mexeu com você? 
- Até mexeram, mas ninguém relou em mim. Eu não deixei. 
- E sobre o copo? O que eu te falei? 
- Não tirei ele da minha frente. 
- Não bebeu? 
- Não, você sabe que eu não sou disso. 
- Pronto, já viu como é, agora já deu né? 
- Amor! - Ela riu me acusando. 
- É sério, eu quase fiquei doido ontem.
- Não tinha nem por que. Você não me ligou também. 
- Não liguei pra não parecer o desesperado.
- Que exagero. 
- Não consigo deixar você solta por aí sem meus cuidados. Esse mundo é perigoso. Eu trabalho com isso Liz, vejo coisas erradas todos os dias então quero você nesse meio.
- Os meninos cuidaram de mim. 
- O Lucas quer cuidar muito de você, esse é o problema. 
- Vai voltar a ter ciúmes dele? - Riu.
- Ciúmes não, precaução. - Ri pela primeira vez no meio da conversa. 
- Eu te amo seu bobo. 
- Eu te amo mais.
- Vai descansar, logo tem mais show. 
- Amanhã tem a formatura e eu estou aí de manhãzinha. 
- Tudo bem, mas eu já disse que você podia ficar tranquilo.
- Não vou faltar a isso, o show já foi mudado e não vamos mais discutir isso, né? 
- Tudo bem meu anjo. - Podia jurar que ela sorria. - Vai descansar.

Me despedi e desliguei o telefone, passando a mão pelo rosto inúmeras vezes. Eu mal tinha dormido, tinha olheiras enormes. Fiquei preocupado a noite toda e todo aquele meu “eu” possessivo que eu tinha antes do divórcio voltou com tudo. Estava morrendo de medo de sozinha. Minha cabeça já imaginou incontáveis coisas, como ela conhecer um idiota da idade dela e me trocar. Aquilo tinha me enlouquecido aquela noite e quando dormia, eu sonhava com isso. E pelo visto era só o começo, já que ela havia gostado e eu nunca ia dizer não pra ela. Eu não podia dizer não, ou podia? Estava começando a pensar nessa hipótese.
Rober entrou no quarto com meu almoço e eu já olhei desanimado. Não aguentava mais fazer dieta, sendo que nem adiantava, por que chegava em casa com a Liz e esquecia o cardápio, e hoje tudo que eu precisava era comer muita besteira.
- Nossa, que cara é essa?
- Cansei dessa comida. - Reclamei ranzinza. 
- Não dormiu? - Perguntou. - Você está horrível. 
- Obrigado boi. - Ri olhando irônico pra ele. - Preciso dormir muito essa tarde, beleza? 
- Mais ou menos né? - Vamos sair às 16h00.
- Tenho 3 horas. - Ri. 
Me sentei pra comer e ele ficou me olhando. 
- O que aconteceu?
- Liz… - Disse.
- Mas o que aquele doce de gente fez? 
- Foi pra balada hoje. - Disse bebendo meu suco e ele começou a rir. - Ta rindo de quê? 
- Você está parecendo um adolescente todo inseguro. 
- Inseguro? Não é isso, ok? É só preocupação. 
- Luan… - Ele riu. 
- Ok, ciúmes no máximo. - Respirei fundo. - Tudo bem, eu estou muito inseguro sempre, por causa dela. Isso é um saco, nunca me senti assim. Fico pensando que ela pode encontrar alguém da idade dela e… 
- Você pode ser mais velho que ela, mas não exagera. - Ele disse. - Ela não vai te deixar por isso, isso é loucura, a menina fez horrores por você, pra ficar ao seu lado. 
- Eu sei disso, mas nossa, eu preciso trabalhar esse sentimento. Vai passar. - Disse certo pra ele. - Por mim a gente casava. 
- Vocês já são casados praticamente. - Ele sentou ao meu lado. - Não vai fazer isso né? 
- Não, ela é muito nova. Está pensando na faculdade ainda, não posso nem falar isso pra ela. Só que eu queria.
- É só coisa da sua cabeça, vai passar. 
- Rezo muito viu?! 
- Relaxa cara! 

Voltei logo pra casa, depois do show e cheguei pela manhã. Liz estava toda nervosa, era seu grande dia. Seus pais já haviam chegado do Rio. Ela foi mostrar o vestido pra mãe e não me deixou entrar, então fiquei batendo papo com o seu Roberto. Ele perguntou muitas coisas dela, e eu respondia, sobre notas, amigos, essas preocupações de pai. Garanti que cuidava bem de tudo que cercava ela. 
Minha mãe e Bruna chegaram logo, iam com Liz e a mãe pro salão e eu fiquei com meu pai, e seu Roberto. 
- Vamos ao Rio logo, agora que acabou as aulas, ela fez o vestibular também, e tudo mais. - Disse. - Eu estou meio enrolado, com shows por causa do acidente, mas ela vai comigo. - Disse. - Não vou deixar ela sozinha.
- Ficou bem amiga da Bruna também. - Meu pai contou. - Esses dias ela até dormiu aqui. 
- Verdade. - Disse. - Elas se deram bem. 
O dia passou rápido, e fomos pegar as mulheres no salão. À colação seria antes de pois a festa. Entrei lá dentro e encontrei Liz pronta, linda. Seu vestido justo abria nas coxas, todo brilhante e com as costas abertas. Estava toda arrumada, bem maquiada, deslumbrante. 
- Meu Deus, o que foi queria fiz pra merecer uma mulher linda como essa? - Disse beijando a sua mão e todos riram. 
Bruna, minha mãe e Lúcia estavam lindas também. 
Chegamos juntos a festa. Liz e os pais foram no meu carro e minha família e o Well no outro. À cerimônia foi linda, minha princesa arrasou. Era a mais linda da festa. 
Dancei a valsa com ela e éramos a atração da noite, não tinha quem não olhasse. O casal perfeito, juntos.
- Acabou! - Ela me abraçou sorrindo. - Obrigado por tudo. 
- Você nem tem que me agradecer por nada, eu faço tudo por você. 
- Só espero passar agora, e a gente vai ser muito feliz não é? 
- Vamos ser o casal mais feliz desse mundo. - Beijei ela, que tinha na boca um batom vermelho que deixava ela ainda mais linda.
- Você está um gato com esse terno. - Disse rindo e acariciando meu rosto. 
- Seu gato. 
- Levei a sorte grande. - Disse. 
- Coisa mais linda da minha vida.
Conversei muito com nossas famílias e com os amigos dela também, que ficaram felizes de conhecer os pais dela. 
- Vamos dançar! - Ela me chamou e eu ri, pedindo licença aos meus sogros e sai atrás. 
- Tem uma loirinha olhando a gente. - Disse olhando uma moça. 
-  A festa inteira está olhando, mas aquela é a Roberta. - Ela fez cara de nojo. - Fica fazendo intrigas minhas sobre você. Dizendo que deve ser mentira. - Ela riu.
- Por que?!
- Por que não falo de você lá, e não respondo o que perguntam. - Eu ri. 
- Deixa ela morrer de inveja por que é isso que ela tem, por que ela é feia e você podia tirar o emprego da Gisele Bündchen.
- Amor… - Ela passou os braços pelo meu pescoço. - Você não está poderoso assim. 
Caímos na risada e nos beijamos em seguida. 
- Você está feliz? 
- Muito. 
- É isso que importa. - Beijei seu rosto com cuidado.
Por eu estava muito feliz! 

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