quinta-feira, 22 de outubro de 2015

9º - Você pode me explicar essa falta de vergonha na cara?

- Como foi seu dia? - Perguntei, assim que Luan me ligou pelo FaceTime pela noite. 
- Cansativo. Tive reunião no escritório.
Seu rosto estava inchado, com carinha de sono. - Estou com sono. 
- Dormiu de noite? 
- Sim. Mas acordei cedo com o despertador da Paula. - Ele abriu a boca. 
Fazia alguns minutos que tentava falar direito com ele, mas ele não ajudava. As respostas monótonas estavam me irritando, já que desde a noite do dia anterior, a gente não se falava. 
- Aconteceu alguma coisa com você. Parece preocupado. 
- Não aconteceu nada. 
- Tem certeza? 
- Só estou com sono. 
- E a reunião? 
- Foi boa. 
- Vai dormir vai. 
- Não, quero falar com você. 
- Seu pai não descobriu não é? 
- Por que esta achando isso? 
- Por que você está estranho, e a gente saber que ele vai descobrir logo.
- Está tudo sobre controle. - Ele sorriu sem me convencer. - Estava pesquisando, existem várias faculdades com seu curso aqui. 
- Só preciso saber como convencer meu pai a me deixar prestar.
- Isso é o de menos. 
- Não, não é. 
- Você faz a inscrição. E se ele não deixar, eu resolvo tudo, e vou pegar você. 
- Como se fosse fácil. - Suspirei.
- Você vai ter feito 18 anos já, e no dia do seu aniversário eu vou aí te pedir em namoro. - Ele riu.
- Vou enfrentar ele assim? 
- Você tem que ter coragem. Impor suas vontades. É sua vida minha menina. - Ele fecho os olhos, parecendo um anjo. - Uma hora isso vai ter que acontecer, você sabe disso. Ou acha que quando eu aparecer na sua casa, com 30 anos quase, eles vão adorar? - Ele perguntou.
- Não, claro que não. - Suspirei. - As vezes eu tenho medo. 
- Medo? 
- De nada disso que a gente sonha acontecer.
- Você acha que eu não tenho? Morro de medo de não poder te dar as mãos, te levar num show, te abraçar e mostrar pra todos o quanto você é minha. Isso pira minha cabeça todos os dias. 
- Você me promete que não vai desistir de nós dois?
- Eu prometo. Eu te amo, muito Liz. 
- Eu te amo tanto. 
Ficamos alguns minutos em silêncio. 
- Agora pega a matéria da prova de amanhã pra mim te ajudar vai. 
- Você sabe física? 
- Não muito. Mas a gente pesquisa. 
- Eu me viro aqui.
- Não, eu gosto de fazer isso com você. A gente tem sintonia, me sinto bem te ajudando, e também tenho saudades da escola. 
- Tudo bem. - Ri. - Tem certeza? 
- Anda logo muié, meu QI esta se irritando com sua lerdeza já. - Ele riu. 
- Desculpa aí Newton! - Ele caiu na gargalhada enquanto eu levantei pra pegar caderno. 
- Meu Deus! Podia ter levado o celular... - Disse. 
- Por que? - Ri, voltando e percebendo que ele tinha tido uma visão perfeita da minha bunda. 
- Você dorme com esse shorts desde quando? - Ele riu. 
- É novo! - Ri. 
- Vou te visitar de noite. - Ele falou sério. 
- Como você é bobo. 
- Pode levar ele quando for me ver viu... 
- Cala a boca Luan! - Ri. - Achei. 
A gente começou a pesquisar e estava bem empenhada nos exercícios.
- Essa conta aí não é difícil. - Luan disse. - Você só tem que interpretar bem. - Afirmou olhando o seu notebook. 
- Pra baixo é negativo é pra cima positivo? - Perguntei.
- Isso. Mas é aquilo que eu já te disse, se quiser mudar não tem problema. 
- Tem certeza?
- Está escrito aqui. Mas tem que ser assim até o final da conta. 
- Beleza, entendi, vou tentar. - Disse começando a conta.
- Vou ver a próxima. 
Estávamos bem concentrados quando ouvi gritos do primeiro andar da casa. Meu pai e minha mãe gritavam, pareciam discutir algo. 
- O que houve? - Luan questionou. 
- Não sei, acho que estão brigando. - Disse sem saber o que fazer. 
- Eles brigam muito? 
- Não, nunca. - Disse nervosa. - O que eu faço? 
- Falaria pra você deixar, mas ouvi som de algo quebrando. Talvez alguém tenha se machucado. - Meus olhos brilharam de lágrimas. 
Me sentia perdida, sabia que algo não estava certo. 
- Meu Deus, algo está errado Luan. - Disse passando as mãos pelo rosto. 
- Se acalma. Espera um pouco. Não chora, calma. Pais brigam, é natural. 
Ele começou a me dizer palavras de calma, enquanto os gritos aumentavam. 
- Acho que eles estão subindo. 
- Fica no quarto. - Levei um susto quando, assim que ele falou isso, ouvi meu nome ser gritado. 
- Estão me chamando.
Quando ia me levantar, a porta abriu com tudo. Nervosa, escondi o celular atrás de mim, na cama, entre os livros. Meu pai parecia furioso, com papéis na mão. 
- Você pode me explicar essa falta de vergonha na cara? - Gritou comigo, e então jogou fotos minhas com Luan sobre a cama. 
Meu coração começou a bater mais forte, eu não sabia o que fazer e nem dizer. Só me passava pela cabeça que tudo estava perdido e me perguntava como ele havia conseguido essas imagens. 
Ele então começou a gritar xingamentos que eu nem sequer ouvi, só pude ver minha mãe chorando atrás dele. Peguei as fotos na mão e olhei elas. Todas tiradas nos nossos encontros, por nós mesmo. Na maioria das vezes ele segurava a câmera. Só consegui enxergar dois jovens que se amavam, pois todas as fotos a gente tinha os mais belos sorrisos. Eram guardarás a sete chaves por mim, em pastas com senhas no meu celular, e por Luan, da mesma forma. Havia até uma que Luan me tinha nos braços, e estávamos cobertos por um lençol, com os cabelos bagunçados e sorrisos enormes, resultados de uma tarde de amor. Eu já chorava muito,  havia até me esquecido de Luan na linha, e nem sequer sabia o que fazer enquanto ele ainda gritava. 
- Vamos, me diga algo! 
- Pai...
- Vagabunda, eu não acredito nisso! - E então fui atingida com um tapa no rosto. 

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

8º - Posso cuidar do seu coração?

Luan POV. 

Assim que sai do banho, naquele mesmo dia pela noite, recebi uma mensagem de Paula. Eu ainda estava nervoso, com medo de ser descoberto, então achei que seria bom vê-la. Coloquei uma roupa mais quente, fazia um vento gelado, e desci com a chave do carro. 
- Não vai comer? - Minha mãe perguntou. 
- Não, vou jantar com a Paula. Ela está tranquila hoje e um pouco nervosa pela apresentação do TCC dela amanhã. Eu estou precisando me distrair também. - Disse bebendo um pouco de suco. 
- Vai dormir em casa? 
- Acho que sim. - Disse dando de ombros. 
Na cabeça dela, o "acho" significava que já teria netinhos, mas na minha eu só estaria levando minha amiga pra faculdade pela manhã.
Sai de casa apressado, estava com fome e Paula já me mandava mensagens pedindo para não chegar depois da pizza que ela havia pedido. Mas foi em vão, já que quando cheguei em seu apartamento, o porteiro me avisou que ela havia acabado de subir. Corri e encontrei ela no elevador, beijei sua testa e lhe ajudei com a sacola de refrigerante. 
- Como é bom te ver. - Ela disse me abraçando depois de colocar a pizza na mesa. 
- Muito bom te ver. Estou precisando de colo. - Fiz bico. - Não tive um bom dia.
- Vamos cuidar disso. 
- Pizza é um bom remédio. 
- Excelente. 

- Aí ele descobriu? - Ela perguntou assim que mastigou o seu pedaço de marguerita. 
- Sim, e eu to bem estressado com isso. - Falei bebendo meu refrigerante. - Não quero perder ela. 
- Talvez seja um sinal. - Ela me disse baixo realmente com medo da minha resposta. 
- Eu sei que você acha que eu não devo entrar nessa, mas já entrei. - Dei de ombros. - Nunca se sentiu perdidamente apaixonada? 
- Me sinto sempre. - Ela confessou. 
- Mas essa pessoa tem que te merecer, entendeu né? - Ela afirmou. - Bom, você sabe como eu me sinto então. 
- Sei. - Ela sorriu fraco.
- Não deixa ninguém te magoar, por favor hein! 
- Digo o mesmo. 
- Você tem que ir comigo, conhecer ela. - Dei mais uma mordida. 
- Eu vou, assim que me formar se verdade, prometo.
- Vou cobrar. 
Logo estava sentando no sofá, escutando ela falar sobre uma veia do coração enquanto eu comia mais um pedaço de pizza e tentava entender o que ela falava, numa tentativa de ensaiar sua apresentação. Depois passei a fazer perguntas escritas num papel, que ela devia saber responder da mesma maneira. 
- Você que fez essas perguntas? 
- Sim. 
- E qual a graça? 
- São possíveis perguntas do professor. 
- Possíveis... - Disse voltando a analisar o que ela dizia com o papel. Tudo parecia ocorrer bem, e quando ela cansou e se sentia mais confiante, sentou ao meu lado. 
- Sinto sua falta. Você me deixa mais segura. 
- Você vai ser uma médica incrível loirinha. - Apertei sua bochecha. 
- Posso cuidar do seu coração? - Ela me perguntou.
- Deve. - Sorri. 
Mas no fundo eu sabia que pra nós dois, essa pergunta tinha significados diferentes. 

Liz POV. 

Eu estava muito feliz. Tinha ido muito bem nas provas e tinha nesse bimestre, as melhores notas da minha vida. Isso significava que eu teria mais liberdade em casa e assim, poderia ver mais Luan. Ele havia me ajudado muito, inclusive quando veio me ver na segunda-feira, mas eu sentirei saudades já que não o verei por mais de uma semana ainda. 
Mandei uma mensagem, sobre meu boletim. Ele estava aguardando comigo a algum tempo, e pediu pra mandar, então comemoramos. 
- Estou feliz com seu desempenho em química. - Disse a professora ao me cruzar no corredor. - Você foi muito bem. Ainda mais sabendo que não é sua área. 
- Um amigo tem me ajudado. - Sorri. 
- Então, mande meus parabéns a ele. 
Assim que cheguei em casa, já quase de noite em decorrência de um trabalho na escola, meu pai ficou muito satisfeito. 
- Temos que sair para jantar fora. Você escolhe. - Ele disse me abraçando. - Tenho orgulho de você meu amor. 
A noite foi muito gostosa. A muito tempo, por me sentir culpada, não passava um tempo com meus pais, e foi bom por eles estarem sempre trabalhando. Quando era menor, minha mãe era bem mais presente, e hoje sentia um pouco de falta disso. Jantamos no meu restaurante preferido, e é claro que pedi Luan Santana de sobremesa no P6, mandando uma fotinho pra ele. Nossa discussão da vez era que eu queria muitas fotinhos dele na praia, o que ele me negou veemente, mas eu sabia que ia ceder. E então, pra fechar minha noite, ele veio com a surpresa. Dormiria na casa de Paula e levaria ela para a faculdade pela manhã. O monstrinho do ciúmes é claro que me mordeu, mas eu não demostrei. O que mais me incomodava era que ela era perfeita pra ele. Além de carregar no peito um amor, que só ele fingia não enxergar, tinha a idade ideal, conhecia ele a mais tempo que eu tinha de vida provavelmente, e tinha o completo apoio dos pais dele e dos dela, sem falar na torcida brasileira por eles dois. E o pior: ela tinha ele na sua casa, a maneira que eu sonhava todos os dias. 

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terça-feira, 20 de outubro de 2015

7º - É essa garota, com você tem falado...

Liz POV. 

Minha rotina me cansava. Eu não tinha mais paciência pra escola ou pra nada do tipo. Era como se Luan me levasse a outro mundo, e sem ele nada mais fazia sentido. Eu não queria mais ficar dias na escola, queria ir pra faculdade, queria viver tudo que a gente sempre sonhava quando estava juntos, e 2 anos parecia muita coisa nesse momento.
Eu tinha poucos amigos, somente os que estavam comigo quando conheci Luan. Felipe e Caio sabiam pouco, somente que a gente tinha ficado naquele dia e ele voltou algumas vezes pra me ver. Agora Bia sabia de tudo, e era uma grande aliada e companheira. Sempre me ajudava com os planos para ver ele, e torcia por nós dois. 
- Você fez a lista? 
- Fiz. - Respondi, sorrindo. 
- Achei muito difícil. 
- Luan me explicou... 
- Biologia também? - Ela perguntou.
- Era sua matéria preferida. É incrível como ele é bom em tudo que faz. 
- Você não vale. - Ela riu.
- Estou completamente apaixonada. - Sorri. 

Luan POV. 

Havia dois dias que eu não via a Liz e a falta dela já estava me deixando ansioso. Sua mãe tinha tirado folga na segunda-feira pra poder acompanhá-la ao médico e não teria como a gente se ver naquela semana. Ainda estaria fazendo shows no nordeste de sexta a segunda e aproveitaria para passar alguns dias na casa de praia em Porto de Galinhas e depois continuar os shows na quinta novamente. 
Cerca de três meses nessa vida e eu já estava ficando louco, não sabia como sobreviveria mais 2 anos. 
Resolvi parar de remoer minha saudade, descer e ficar um pouco com a minha mãe, já que Bruna estava em Londrina e meu pai no escritório. 
Fiquei durante a tarde com ela. Passamos o dia rindo, da minha falta de habilidade na cozinha, enquanto ajudava ela a fazer um bolo de chocolate. 
- Você não nasceu pra isso mesmo filho. Ainda bem que sabe cantar. - Ela disse puxando a colher da minha mão. 
- Nossa, assim você me magoa. 
- Para de drama. - Rimos. 
Escutamos a porta se abrir e meu pai chegou cumprimentando nós dois. Deu um beijo no rosto dela e demos um toque de mão. 
- Podemos conversar? - Pediu por mim. 
- Claro. - Disse deixando meu copo de suco em cima da mesa e segui ele até o escritório. 
- Aconteceu alguma coisa pai? 
- Eu que te pergunto. O que há no Rio? 
Fiquei em choque com sua pergunta. 
- Como assim? 
- Não se faça Luan. Você está vindo pra casa segunda a noite todos os dias. Analisei as contas das viagens e descobri por um acaso que o avião tem pousado no Rio toda a semana, na segunda. Não existe nenhum compromisso agendado e nada lá que me pareça o motivo das suas viagens. Então por que não me conta o que está acontecendo? 
Aquilo tinha me pagado de surpresa de verdade. Eu não imaginava o que poderia falar, que desculpa dar. Mas eu sabia que não poderia falar a verdade. 
- Pai... 
- Fala a verdade. - Eu não podia perder Liz, o que me deixou se sentindo bem pressionado com a situação. 
- É assunto meu pai. 
- Sou seu amigo. - Ele me pressionou. - Se você falar, posso te ajudar. Você não precisa esconder nada, sabe disso. 
- É assunto meu. - Afirme já irritado. 
- É essa garota, com você tem falado... 
- Eu não tenho falado com ninguém. 
- Sua mãe está preocupada. 
- Eu sei me cuidar, não sou criança.
- Sozinho no Rio? Well voltando de viagem com a banda? Nem ele você está levando. 
- Rober está indo comigo. 
- E por que? 
- Vai insinuar que tenho um caso com ele agora? - Disse ficando bravo. 
- Claro que não. 
- Só o que faltava né?! Agora ficar querendo controlar o pouco de vida que eu tenho. 
- Não estou controlando sua vida Luan. Quero que se abra comigo, e então faremos certo as coisa. Se tem assuntos no Rio, tudo bem. Mas vamos conversar e ver a melhor maneira de fazer isso. 
- Melhor maneira? Está ótimo da minha maneira. 
- Você pode levar o segurança. 
- Não vai ser necessário. 
- Como não?!
- Rober me ajuda em tudo, está tudo sobre controle. 
- Diz o que tem no Rio. 
- Assunto meu, já expliquei. 
- Tudo bem, você venceu. - Ele disse se sentando. 
- Só isso?
- Não estou entendendo o que está acontecendo com você. 
- Para de investigar, por favor. Na hora certa, vocês vão saber. - Disse me sentindo um pouco culpado. - Estou bem pai, feliz. Você pode ver. 
- E isso tem haver com o Rio. 
- Totalmente. 
- Ficaria mais tranquilo se Well fosse. 
- Não vai ser necessário. Ninguém me vê, saindo ou chegando. 
- Só não apronta. 
- Eu sei me cuidar. - Disse saindo e me trancando no quarto. 
Eu sabia que tudo saia levantamento do controle e tudo que eu não podia era perder Liz.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

6º - Eu sou só sua...

Meu sinônimo de paraíso era almoçar com minha garota bem próxima de mim, bem à vontade somente com uma camiseta minha e sua calcinha que tinha um poder avassalador comigo e com meus pensamentos. Ela era minha, de uma forma tão intensa e natural, que eu ficava me perguntando se merecia tudo aquilo. Quando ela me olhava com aquele olhar puro, eu até conseguia me sentir culpado por de certa forma colocar fim naquela inocência. 
Eu mal escutava o que ela falava às vezes, só queria guardar na minha mente seu sorriso e seu olhar, assim como cada gesto seu. Ficava admirando ela cada segundo. 
Ela me arrancou mil gargalhadas quando tirou da sua bolsa a escova de dente e me puxou com ela pro banheiro. Fazia graça, me ensinando como escovava, como uma professora de jardim de infância ensina aos seus alunos. 
- Mas a neném aqui é você. - Eu disse pra ela, fingindo uma braveza que não existia.
Eu conseguia achar lindo cada ação dela. 
- Eu não sou neném. - Disse fazendo careta assim que secou o rosto e guardou sua escova sobre a pia. 
- É minha neném sim. E não aceito o contrário. - Puxei seu corpo na minha direção com a calma, mas ao mesmo tempo, muita formas nos movimentos. - Você é minha garota, minha, minha neném. 
Seus olhos estavam fixos nos meus, e nem se uma bomba caísse ao nosso lado, nossa conexao se romperia. Com nossos corpos cada vez mais colados, minhas mãos migraram lentamente para suas nádegas, as apertando com força enquanto sentia suas mãos percorrerem meus ombros e depositarem-se na minha nuca, onde, no meio de um beijo quente e sensual, ela iniciou carícias que causaram arrepios em todo meu corpo. 
Só me afastei de seus lábios quando minhas mãos habilidosas subiram a camiseta que estava me atrapalhando, me permitindo uma visão linda da mulher da minha vida, de calcinha e sutiã. 
- Vou comprar uma ilha inteira só pra você andar pra mim assim, o dia todo. 
Peguei sua mão, ao vê-la corar, e beijei com delicadeza, a erguendo e fazendo das voltas para poder observar todo seu corpo. Mas o que mais me deixava louco por ela era o sorriso inocente que ela carregava mesmo com o olhar cheio de desejo. 
Em segundos, trocando beijos ritmados e cheios de intimidade, estávamos nus. Liz, tocava arrepiada, sentada sobre meu quadril, com suas mãos pequenas, cada parte do meu corpo enquanto sentia minha excitação crescer. Então, sem esperar, fiquei fascinado quando ela sentou no meu membro, deslizando ele pra dentro de si lentamente, e iniciando um movimentos ritmado é lento, enquanto minhas mãos seguravam sua bunda lhe ajudando a se mover, e me sentindo deslizar cada vez mais fundo dentro dela. 
Ergui meu corpo levemente, mas ela não parou, e pegando seu rosto com uma mão e a com a outra segurando firme suas costas, olhei em seus olhos, cheios de prazer. Os meus, nesse momento, poderia apostar que ardiam em chamas. 
- Você é só minha, escutou? 
- Eu sou só sua. - Ela disse com dificuldade, com um sorriso no rosto, no meio de um gemido baixo. 
E eu sabia que o que existia ali, era único. Eu nunca na vida havia verdadeiro feito amor, e era isso que estávamos fazendo. Eu e Liz, fazíamos amor. 

- Eu amo a forma como você fica linda assim nos meus braços. - Disse, enquanto ela estava deitada sobre meu peito. 
- Eu não sei o que existe entre a gente mais, foge do controle. Eu nunca me senti tão protegida, tão amada e tão bem em minha vida. - Ela confessou.
- Pois saiba que eu também não. Eu perdi todo o controle, e não só da situação, mas de mim. Estou completamente em suas mãos. 
- Não quero ficar pensando nisso, na gente, é como se não soubesse o dia de amanhã. 
- Eu me sinto assim também.
- Luan, posso te pedir uma coisa? - Ela disse sem me olhar, fazendo círculos em minha pele. 
- Tudo o que você quiser. - Acariciei seus cabelos.
- Não quero te vê com outra. 
- Por que está dizendo isso? - Perguntei. 
- Por que você é bem visado, e queria que pensasse um pouco em mim quando fosse ficar com outra pessoa. Não me deixa ficar sabendo. 
Me surpreendi com seu pedido. A gente nunca tinha falado sobre fidelidade, mas eu achava que de certa forma, ela sentia. 
- Não precisa se preocupar com isso. Por que, eu sou sincero com você, você sabe. E desde que te vi, eu não consigo olhar pra mais ninguém. Realmente, você não precisa se preocupar com isso. - Seu olhar brilhou. - E se de alguma maneira, um dia, algo assim acontecer, eu vou ser sincero com você. Por que nossa relação é feita disso, não é? 
- Sim, acima de tudo. - Ela me olhou sorrindo. 
- Liz, eu não te pedi em namoro, nem nada do tipo, mas é por que... - Ela me interrompeu.
- Você sabe que eu não me importo com nada disso! Você me passa segurança, e é só isso que eu preciso. 
- Eu sei, e é exatamente por isso que me sinto tão bem ao seu lado. Por mim, te pegava agora e me casava hoje mesmo. Você sabe disso, não é possível que não sinta isso nas minhas atitudes. 
- Eu sinto.
- E eu sinto nas suas. Mas eu quero fazer direito com você minha princesa. - Passei meu dedo pelo seu nariz com delicadeza. - Você vai ser minha namorada quando eu puder contar pro mundo que pertence a mim. E então, nunca mais vai sair do meu lado. 
- Eu te amo. 
- Eu também te amo. 
- Imagina só. Você fazendo faculdade, e eu vou ter duas casas. - Ri. - Vou chegar de madrugada, de surpresa depois de um show. Te beijar, te ama muito, e vou dormir bem coladinho com você. - Abracei ela mais forte e rimos. - Mas depois você vai ter que lavar minha roupa, muié. 
- Ah Luan, toma vergonha! - Liz riu e me deu um tapa de leve. 
- E fazer comida pra mim também.
- Está achando que eu vou ser sua empregada né?
- Empregada não, mas a minha mulher tem que cuidar do maridão ué. Como quer casar assim? 
- Nem vem, não vou lavar cueca de ninguém! - Disse rindo e se levantando, fingindo desdém. 
- Vai lavar sim! - Ri puxando ela de volta e deitei ela, subindo em cima e depositando beijos enquanto ela fugia. 
- Nunca! - Sua risada era uma delicia. 
- Eu que mando aqui!
- Vish, não gostei. Estou devolvendo. - Disse séria. 
- Como é que é? 
- Claro. Mandão, autoritário, ciumento, possessivo, e ainda por cima quer eu lave as suas roupas. - Ela riu negando com a cabeça. 
- Quero ver você correr atrás de mim, isso sim. Fica aí de gracinha, mas não vive sem mim. - Disse levantando e me dirigindo até o banheiro, mas parei no meio do caminho e voltei, subindo em cima dela novamente. 
- Você vai me aceitar na sua casa? 
- Vou. - Ela respondeu com um sorriso. 
- E fazer comida de madrugada pra mim?
- Não. 
- Vai sim! - Iniciei um beijo calmo e delicado. - E vai lavar minhas cuecas. 
- Sem chance. 
- Eu que mando! Fica quietinha fica. - Ri beijando todo seu rosto enquanto aquela risada ia entrando por todo meu corpo, em cada veia e articulações, renovando todas as minhas forças. 

Postei um de brinde pra vocês se apaixonarem ainda mais pelo nosso casal Luz... Só queria dizer que estou amando os comentários... E que essa semana ainda a fanfic vai estar bombástica! Posto depois de 8 comentários. ♥

5º - Mães, por que sempre tão observadoras?

Cheguei tarde do Dudu e acabei dormindo até tarde. Minha mãe me chamou um pouco antes de ir viajar, então tomei um banho e fui tomar café da tarde. Estava todos em casa, por um milagre, e comemos juntos. Tinha acabado de mandar mensagem pra Liz e ela estava respondendo, animada, contando sobre sua prova, na qual jurava ter ido bem graças a mim. Respondia ela, deixava o celular sobre a mesa, e voltava a falar com a minha família. Continuei aquilo por bastante tempo, mas do nada a conversa se perdeu pra mim.
- Luan, estou falando com você. - Meu pai chamou. 
- Oi, desculpa. - Coloquei o celular na mesa. - Eu não ouvi. 
- Paula. Anda vendo ela? - Perguntou. 
- Sim, ela foi me ver num show aqui perto e tenho falado com ela pela internet mesmo. Disse que a faculdade tem tomado muito tempo dela. 
Paula era minha melhor amiga. A gente se entendia muito, e eu gostava muito dela, mas confesso que com o romance com a Liz, havia deixado ela um pouco de lado. Paula era uma fã quando a conheci, e ela me entendia como ninguém. 
- Está sozinho a muito tempo, e Paula é incrível. - Meu pai disse. 
Ele sempre insinuam as coisas entre nós dois, o que eu nunca liguei, mas de uns dias para cá, com a presença de Liz na minha vida, tem me irritado muito. 
- Paula é incrível e vai achar alguém tão incrível quanto, que a ame de verdade. - Disse sorrindo e deixando a comida de lado e pegando o celular que tremeu com mais uma mensagem da minha garota. 
- Só acho que você tem que sossegar um pouco, e buscar alguém que te ame acima de tudo. Paula é a mulher ideal para você meu filho, vai simplificar sua vida e tenho certeza que não medirá esforços pra ver um sorriso em seu rosto. Ela te ama. 
- Mas eu não a amo. Ela merece alguém que faço por ela o mesmo que sei que ela pode fazer por mim. 
- Você já tem 27 anos, talvez deva parar e pensar um pouco. Eu sei que é sonhador, romântico, mas na vida, a vezes, o amor vem com o tempo. Às vezes, ele não é como nos filmes. - Meu pai falou, mas eu não tirei os olhos do celular. 
- Tem coisa muito errada acontecendo. - Minha mãe falou assim que eu bloqueei a tela. 
- Como assim meu bem? - Meu pai questionou. 
- Luan, não sai mais do celular, com esse humor bom dele, e esse sorriso aí de quem está aprontando. Confere? - Ela me olhou sugestiva. 
Mães, por que sempre tão observadoras? 
- Não tem nada de errado nisso mãe. 
- Tem, por que é segredo.
- Não pira mãe. - Disse, dessa vez ignorando a Liz, pra não causar mais falação. - Estou atrasado. Preciso separar minhas ultimas coisas, Rober deve estar chegando. - Disse me levantando e saindo. 

Não demorou pra equipe chegar e eu pegar vôo, dessa vez pra dois shows no ES, é um no Rio, o que era maravilhoso. Estava tudo planejado, só Liz que precisava arrumar uma desculpa pra me ver. Ela ainda estava criando, mas eu sabia que daria certo, já que havia tirado boas notas nas provas e era bem esperta. 
A sexta-feira e o sábado foram corridos. Os shows no interior me obrigavam a ficar viajando de van da capital para as cidades correspondentes, o que me deixava bem cansado e quase sem tempo de falar com a família e com Liz. Essa distância, essa solidão, mexiam muito comigo, e tudo se intensifica quando soma a ansiedade por encontrar minha garota. Aquilo me enlouquecia, mas a sorte é por ser corrido, acabava passando rápido. Assim que cheguei ao Rio no domingo pela madrugada, estava cansado e dormi até a noite,  praticamente levantei só para viajar pra uma cidade próxima pra fazer o show. Depois do banho, meu celular tocou, e por achar que era Liz, atendi rápido, mas era Paula. 
- Você me largou. - Reclamei depois de cumprimentar ela.
- Estou preparando meu TCC. Logo tem uma amiga cardiologista. 
- Tenho orgulho de você. Desde sempre acompanhei sua luta pelos seus sonhos, você é empenhada. - Confessei. 
- Você sabe quem sempre me incentivou, não sabe?
- Tinha que ser o lindo aqui né... - Brinquei. - Estou sentindo sua falta. 
- Você não parece muito animado. Como está com a garota? - Ela era uma das poucas que sabia. 
- Vou vê-la amanhã. Mas estou agitado, me sentindo meio sozinho nessa viagem. É estranho, você me conhece, esses sentimentos vem do nada. 
- Você a ama mesmo Luan? - Ela perguntou com uma voz séria. 
- Amo. 
- Estão namorando? 
- Não, eu... É confuso. 
- Entendo. Mas ela vai te ajudar nisso. 
- Eu tenho vocês duas, minhas princesas. - Ouvi uma risada encantada e sorri. 
- Só se cuida, eu não quero te ver magoado no fim disso tudo. 
Eu sabia que ela sentia como se eu fosse frágil, de porcelana. Paula sempre conheceu meus piores defeitos, e meus piores medos. Ela sabia que eu tinha uma cabecinha bagunçada e um coração sensível. 
- Eu confio nela.
- Eu sei que confia, mas só vai devagar. 
- Eu prometo, vai ser tudo no seu tempo.
Não demoramos muito, estava atrasado. Fiz o show bem melhor, mais animado, e fui pro hotel descansar. Quando cheguei, havia uma mensagem de Liz. Estava tudo certo, ela me veria pela tarde e iria me esperar um quarteirão da sua escola, no mesmo local e horário de sempre. Eu respondi um ok, confirmando tudo e coloquei um despertador, já que precisava sair e alugar um carro pra pegar ela ainda. Demorei um pouco a dormi, então assisti um filme, pelo computador, mas logo em seguida, capotei. 

Acordei em dois segundos quando o despertador tocou. Tomei um banho, escolhi a melhor roupa que havia na minha mala, e para a surpresa do mundo, não coloquei touca ou boné, mas perdi tempo deixando meu cabelo impecavelmente pra cima, coisa que nunca fazia se não fosse pra aparecer na TV. 
- Tomou banho de perfume? - Rober disse ao me ver assim que chegou ao quarto. 
- Invejoso. 
- O pessoal já foi. 
- Ótimo. - Sorri. - Faremos o mesmo esquema de sempre. 
- Vamos chegar de noite né? Marquei com uns amigos. 
- Sim, o mesmo de sempre. - Sorri. - Pede um táxi e vamos alugar um carro. Vou fechar a mala, deixar tudo certo e pedir pra arrumar o quarto, levo minhas coisas pro seu. 
- Tudo bem. - Ele me deu a chave e eu olhei antes pra ver se havia alguém. Seu quarto era ao lado do meu e não demorei muito. 
- O taxi já está esperando. 
Logo já estava com o carro alugado, esperando uma quadra da escola da Liz. Meu coração batia forte, não via a hora de ver ela chegar toda sorridente e linda. Rober ficou pra fora do carro, esperando, e eu mandei mensagem pra ela. Quando deu seu horário, ela apareceu logo em seguida, da maneira como imaginei. E estava incrivelmente linda. Cumprimentou Rober e entraram no carro com pressa. 
- Como você consegue ficar mais linda a cada dia que te vejo? - Perguntei, com um sorriso enorme. 
- É você que faz isso comigo. - Ela sorriu me abraçando forte e trocamos um beijo lento e delicado, cheio de saudade. 
- Querem parar? - Rober jogou uma bolinha de papel em nós dois. 
- Começou a inveja. - Comentei, abraçando ela pelos ombros. 
- Rober, você quer esse homem cheiroso e gato pra você? - Ela perguntou rindo. - Eu divido. 
- Quer apanhar?! - Perguntei. 
- Mas amor... 
- Não, não quero não, obrigado. Só quero almoçar e pegar uma praia já que sou obrigado a ficar no Rio né... - Disse fazendo graça enquanto dirigia. 
- Estou morrendo de fome. - Ela comentou. - E calor. Essa blusa é quente. - Riu, escondendo seu rosto no meu pescoço. 
- Assim que a gente chegar, você tira. - Comentei, sem más intenções, mas já ouvi o chiado do Rober. 
- Desse jeito, com esse fogo, até o fim do ano vocês têm um filho. - Olhei pra minha princesa e vi ela corar inteira. 
Era lindo a forma como ela era doce, pura. 
- Deixa esse invejoso para lá e fica aqui coladinha comigo. - Disse, abraçando ela e rindo. 
Com ela, o tempo passava rápido. 

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domingo, 18 de outubro de 2015

4º - Precisava ouvir sua voz...

Luan POV. 

Assim que desliguei o FaceTime com a Liz, sorri rolando pela cama. Parecia um adolescente apaixonado. Minha vontade era pegar ela pelos braços e não desgrudar nunca, pedir ela em namoro amanhã, ou em casamento, tanto faz. 
Não éramos namorados ainda, mas nossa ligação era tão forte, que nem me importava com isso. Nunca tínhamos conversado sobre fidelidade também, mas eu nem via motivo, já que não tinha nem olhos pra outra pessoa. A gente só se amava, e isso bastava. Isso já era o mundo pra nós dois. 
Terminei de me arrumar e desci as escadas cantarolando. Meus pais assistiam filme na sala e Bruna comia na mesa de centro. 
- Só pode ter mulher na história pra estar com esse bom humor tão grande. - Ela disse, me provocando. 
- Não vai conseguir me irritar Pi. - Sorri roubando um salgadinho. 
- Está na hora já né mãe? Encalhado. - Disse batendo na minha mãe. 
- Conta pra gente filho. - Minha mãe pediu e meu pai riu. 
- Pois pra informação de vocês, não tem mulher nenhuma na história. - Menti. - Ou melhor, tem muitas. - Ri. - Não estou encalhado Bruna, você que é apressada e quer casar logo. Só espero que seu marido te aguente e não devolva. - Reclamei.
- Luan... Vamos parar vai! - Minha mãe repreendeu. 
- Ela quem começou. - Acusei e logo ouvi a buzina. - Rober chegou, estou indo pro VIP, beijos família. 

- Segunda a gente vai pro Rio. - Disse assim que entrei no carro, já que dessa vez só estava ele.
- De novo? 
- Sim. 
- Está namorando ela? 
- Ainda não. 
- E pretende? 
- A gente não precisa namorar Rober, a gente se ama, tem confiança, isso basta para nós. 
- Eu sei que basta, mas acho que isso tudo é perigoso demais. Luan, andei pesquisando, e na idade dela, é crime. 
- Ninguém vai saber. 
- Não tenha tanta certeza. 
- Para de gorar. 
- Não, estou avisando. Quando a gente está apaixonado, as coisa saem do nosso controle, é justamente por que só pensamos na pessoa amada. Você sabe disso, sabe que está louco por essa história. 
- A gente toma cuidado, tá legal? Você sabe disso. 
- Só reza pra nada sair do plano. Se não, você está ferrado. 
- Nada vai sair, não pode sair. - Disse sério. - Eu não posso perder ela. 
- Então pensa mais com a cabeça de cima do que com a de baixo, só um pouco, tá legal? 
- Só por mais 2 anos. - Disse como se fosse normal, e Rober me olhou muito feio. Paramos na frente do estúdio. - Agora esquece e vamos focar no trabalho. 

A noite começou muito bem. Dudu me mostro duas composições e eu mexi um pouco nelas enquanto ele acertava os últimos ajustes do estúdio pra gravar uma música de um comercial. Daria trabalho, então ensaiei um pouco também, para poupar trabalho depois, e ajustamos as últimas notas. Quando estava quase finalizando os ajustes e pronto pra gravar, meu celular tocou. A princípio me assustei, não esperava, mas olhei a hora e fiquei nervoso ao ver que Liz me liga as 03:00. 
- Eu preciso atender. - Disse parando a música. - Liz? 
- Oi meu menino. - Ela disse com uma voz estranha. 
- Me assustou. O que houve? Você está bem? 
- Desculpa, te ligar. Sei que está trabalhando, mas eu tive um sonho, acidente de carro, e como sabia que você tinha saído de casa, fiquei preocupada. Precisava falar com você. 
- Oh meu anjo. - Sorri se levantando sobre o olhar de Dudu e Rober e sai da sala para poder falar mais à vontade com ela. - Estou bem. Prometo que assim que chegar em casa te mando uma mensagem. Você precisa dormir, tem prova. 
- Eu sei, mas precisava ouvir sua voz. 
- Ouvir a sua é maravilhoso. Vou gravar melhor agora. 
- Promete que toma cuidado no trânsito. 
- Assim como cuido de você.
- Então fico mais tranquila. - Conseguia jurar que ela sorria. - Boa noite.
- Boa noite minha neném. 
Sorri e voltei pra sala. 
- Não sabia que estava namorando. - Dudu me tirou rindo.
- Praticamente casado. - Disse rindo e sentando.
- Traz ela aqui, quero conhecer sua mulher. 
- Não dá cara, um dia você conhece ela. - Disse sorrindo. - Sabe, às vezes penso que vou pirar. Não quero bagunçar a vida dela, não quero de forma alguma. E eu sei que precisava ficar longe dela, mas tudo que eu mais quero cada segundo, é ficar mais perto. 
- Isso se chama amor. 
- Ela tem 16 anos. - Confessei. - E eu sei que é loucura. 
- Meu Deus Luan... - Ele disse assustado. 
- Mas eu estou realmente apaixonado. E não posso mais ficar sem ela. 
- Eu sei que se amam, eu posso dizer por quê já vi. Mas eu acho isso tão perigoso, pros dois. Se isso vem à tona, vai atingir todo mundo. 
- Como você foi deixar isso acontecer? - Perguntou Dudu. 
- Quando eu vi, já tinha acontecido. - Confessei. - Em 2 anos muita coisa pode acontecer, e tudo que eu não quero é magoar ela. 
- Você vai ter que ter muita habilidade para lidar com isso. - Dudu disse. - Ela é mesmo nova, e apesar de saber que com certeza a garota aparenta ter mais que isso, a cabeça é diferente, é complicado. 
- Eu sei bem disso. Mas vou deixar rolar, e ver no que vai dar. Se não der, eu faço dar. 
- Você é paciente, esperto, vai sobreviver. - Ele disse batendo nas minhas costas. - Vamos ao trabalho? 
- Pra já. - Disse me levantando pronto pra gravar mais um trabalho incrível. 

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sábado, 17 de outubro de 2015

3º - Ainda por cima é inteligente?!

A semana passou voando, e quando vi estava na quinta-feira. Por um lado era bom, pois Luan voltaria logo e por outro, a falta dele já me tomava conta. Meus pais, médicos, tinham algumas cirurgias nessa semana, o que acabou fazendo com que ficasse mais tempo sozinha em casa e pudesse falar com Luan mais à vontade. Precisei estudar bastante também em razão da semana de provas do colégio, afinal, tudo que eu não precisava era ficar sem celular.

- Meu Deus, eu já sinto muito a sua falta. - Disse deitada na cama conversando com Luan pelo FaceTime. 
- Eu também, parece que faz anos que não nos vemos. - Ele respondeu. 
Meu menino tinha uma carinha linda de quem havia dormido muito. Já era noite, estava quase na hora que eu sentia sono por levantar cedo pra ir ao colégio, mas senti sua falta, e tive que ligar. 
- Vai sair? - Perguntei, o vendo arrumado. 
Vestia uma blusa básica, de mangas longas e uma touca preta na cabeça cobrindo quase seus olhos. 
- Vou passar a noite trabalhando no estúdio. Não tinha dito? - Eu neguei. - Achei que tivesse falado. 
- Espero que dê tudo certo lá. 
- Vai dar. - Ele me abriu um sorriso lindo. - Com você na minha cabeça só tem como dar coisas boas minha luz! 
- Você sempre me deixa sem graça. - Ri. 
- Fica vermelhinha, com essa sua carinha de menina. - Ele riu. - Queria morder suas bochechas agora. 
- Quem vê pensa né? E as suas bochechas? Parece um ursinho com essa touca aí, vontade de apertar elas. 
- Apertar dói. - Ele fez careta. 
- Morder também. 
- Mas a minha mordida é de amor. 
Dei uma gargalhada e ele ficou me olhando sorrir. 
- Eu devo ser muito legal mesmo. - Disse e eu olhei estranhando. 
- Você é chato. - Dei a língua. 
- Não, não mesmo. Por que a única explicação pra uma menina como você estar comigo é essa. - Ele riu. 
Eu tive um ataque de risos e ele ficou me olhando fingindo estar bravo. 
- Por que está rindo? - Disse sem conter um sorriso. 
- Por que é muito humilde ou falso mesmo. 
- Estou velho pra você já. 
- Ahan, muito... Meu idoso. - Disse sem me aguentar e ri muito em seguida, mas parei pra ouvir o som da sua risada. 
- Não, assim também não, vou aí pro Rio hoje e você vai me pagar pelo que disse. Vou te afogar no mar. 
- Você me ama também que se jogaria atrás. 
- Nossa, que modéstia. 
- Modéstia não, verdade. 
- Como eu odeio estar nas suas mãos neném. - Ele suspirou. - Ou não, vou pensar melhor sobre isso. 
- Precisava fazer tarefa de química. - Disse fazendo careta. 
- Não vai fazer? 
- Não sei. 
- Eu te pedi pra estudar direitinho, pra não terem desculpas contra a gente caso tudo isso venha à tona. 
- Estou estudando meu amor, mas não sei fazer essa tarefa. Amanhã eu chego e pego com alguma amiga.
- Não, eu sou bom nisso, pega aí. 
- Você Luan? - Disse rindo. 
- Eu mesmo, qual a graça? Pega aí e lê pra mim que eu vou te ajudar. 
- Luan... 
- É sério. - Disse rindo. 
Peguei o caderno e li pra ele. Logo meu amor começou a fazer contas e pesquisas na internet. Ele realmente sabia o que estava fazendo é uma hora depois, já tinha terminado toda a lista de exercícios, com todas as respostas certas. 
- Além de lindo, gostoso, beijar bem, ser educado, romântico e cavalheiro, ainda por cima é inteligente?!
- Esqueceu uma coisa que eu sou... 
- Diga modesto. 
- Seu. 
- Ah, como pude me esquecer. Realmente, você é meu. É que eu achei que nem precisava dizer. 
- Reforçar as vezes faz bem, aliás, sempre tem um monte de mulheres lindas atrás de... 
- Cala sua boquinha, que tal? - Disse. 
- Tudo bem, é que você não disse. 
- Meu, Luan, você é meu. Escutou? 
- Agora acho que entendi. - Ele deu aquela risada gostosa. 
Escutei um grito lá de baixo e me assustei. 
- Luan, minha mãe está me chamando pra jantar. 
- Não comeu ainda?
- Não, ela atrasou com a comida, a empregada não veio hoje, é meu pai trouxe pão quando chegou do hospital mais cedo, então ela deixou pra agora. 
- Vai lá, se alimenta bem, se cuida e dorme bem pra amanhã ir bem na prova. 
- É humanas, vou arrasar. 
- Se acha. - Ele riu. 
- Eu te amo, e muito obrigado pela ajuda. 
- Disponha. Eu te amo mais. 
- Diz? 
- Digo. - Ele riu. - Durma com os anjo, minha neném. 
- Fique com eles. 
Desliguei mandando um beijo e sai do quarto saltitante. 
- Nossa, está feliz. - Minha mãe disse sorrindo quando me sentei a mesa. 
- Estou indo bem nas provas Dona Lucia. Caprichou na lasanha. 
- Então quer dizer que valeu a pena ficar durante a tarde na escola na segunda, não é? - Meu pai sorriu.
- Claro paizinho. 
É claro que me senti mal, mas eles surtariam se soubesse do meu caso com Luan. Um dia eles poderiam saber, e tudo ficaria bem, eu tinha fé nisso e confiava no Luan.

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