sexta-feira, 6 de novembro de 2015

26° - Você tem que contar pra Lucia.

Dedicado a linda da Everlin G.!

Luan POV.

- Levanta Bruna, preciso de ajuda! – Disse entrando no quarto da minha irmã e acendendo as luzes.
- Ah não Luan. – Ela reclamou.
- Vai, serio. – Puxei sua coberta e ela se espreguiçou. 
- O que foi?
- Amanhã é aniversario da Paula, e queria fazer algo hoje, e não tenho ideia, preciso de ajuda. 
É, eu realmente estava me esforçando bem mais depois que dei de cara com Liz com outro. Aquele beijo me deu um animo que só por Deus...
- Tinha-me esquecido. – Ela disse se levantando e sentou.
- O que você pensou?
- Numa festinha surpresa, o que acha?
- Ela foi trabalhar?
- Sim, e vai atender até ás 18h00.
- Podemos fazer aqui, falamos que mamãe vai se despedir de você que vai viajar amanhã com um jantar.
- Me ajuda com tudo?
- Sim, ajudo.
Primeiro fizemos uma alista de quem chamar e em seguida mandamos as mensagens, depois uma lista com tudo que ia precisar e Bruna ligou pra pessoas que poderiam ajudar de ultima hora, com o bolo, por exemplo, e uma floricultura com as decorações. Minha mãe se animou com a minha ideia de fazer algo pra ela, já que ela se animava com a ideia de eu estar realmente a fim de fazer o casamento dar certo. Foi um dia corrido e complicado, e logo no final deixei Bruna e minha mãe finalizando e fui pra casa me arrumar e esperar Paula. 
Tomei banho rápido e estava colocando a camiseta quando ela apareceu no quarto.
- Que dia corrido, estou cansada. – Me deu um beijo. – O que você fez hoje?
- Nada demais, fui na minha mãe. Ela está esperando com um jantar pra nós dois daqui uma hora. 
- Ai amor, estou tão cansada.
- Amanhã nem vamos te ver direito vai... – Disse abraçando ela pela cintura e dando beijos em seu ombro.
- Tudo bem, vou me arrumar então. – Ela disse entrando no banheiro rindo e eu mandei um beijo.
- Bem bonita pra mim hein?
- Tudo bem seu chato!
Assim que ouvi o chuveiro ligar, peguei o celular mandei mensagem pra Bruna. Ela disse que faltavam poucas pessoas pra chegar e estava tudo certo. Fingi que assistia TV logo depois que arrumei meu cabelo e ela saiu bem arrumada. 
- Nossa, nem parece minha esposa. – Dei a língua pra ela brincando e ela respondeu rindo.
- Como você é bom com elogios... 
- Muito bom. – A vi colocar uma sapatilha, mas reclamei pra ela. – Coloca salto pra mim.
- Não Luan, sem chance. É só a casa da sua mãe, eu estou cansada amor.
Eu sabia o quanto ela odiava sair sem salto, já que era bem vaidosa. Eu não via muita diferença, já que ela era também bem alta, quase do meu tamanho.
- Esta bem amor...
Ela foi secar os cabelos e depois saiu do banheiro já pronta e bem maquiada. 
- Está linda querida.
- Obrigado, você também. – Ela sorriu. – Vamos?
Olhei o relógio, estava em cima da hora. 
– Vamos!
Dirigi devagar depois de avisar a Bruna e ela ia colocando o brinco. Assim que parei em frente a casa do meu pai, ela estranho que havia bastante carros. 
- Nossa...
- Deve ser festa no vizinho. – Disse pegando o celular e avisando a Bruna.
- Tem certeza que era hoje? - Ela riu. – Não parece ter ninguém na casa dos seus pais. 
- Devem estar lá pro fundo. – Disse dando a mão pra ela e entramos juntos. Bruna veio abrir a porta e assim que ela cumprimentou a Bruna e andamos em direção ao fundo da casa, as luzes se acenderam e todos gritaram surpresa. A reação dela foi incrível e eu ri. Levou a mão na boca e me abraçou. 
- Gostou? Parabéns minha linda, depois eu te dou meu parabéns direito, só nós dois. 
- Amei. – Ela me deu muitos beijos. – Obrigado. – Ela sorriu.
Todos vieram cumprimentar ela e eu também. Logo a deixei mais a vontade com alguns amigos e fui falar com os meus.
- Está tudo andando, eu não disse? – Marquinho comentou na roda.
- Sim, graças a Deus. Eu disse que a gente só precisava quebrar o gelo.
- Até parece que se amam... – Ele respondeu.
- Não fala assim aqui cara, eu não quero mais magoar ela.
Rober ficou bem quieto na dele, estava assim fazia muito tempo. Não abria mais a boca pra falar sobre meus relacionamentos e eu agradecia por isso, assim podíamos manter nossa amizade a mesma, mesmo depois de tudo que aconteceu. 
A festa foi um sucesso e Paula sorria a todo o momento. Estava feliz, de enfim estar fazendo algo por ela, mas por alguns segundos Liz me passou pela cabeça e parei pra pensar que se fosse ela ali, eu ia estar mil vezes mais feliz. Afastei meus pensamentos bebendo um pouco e depois fui ao lado de Paula cantar parabéns. Tudo parecia ser programado pelo destino. 

Mais tarde, depois da festa, fomos pra casa. Estava um pouco alegrinho e entramos rindo e comentando da festa. Paula me abraçou e agradeceu. 
- Tenho seu presente, e já é meia noite. – Disse rindo e subindo pro quarto e peguei dentro das minhas coisas escondido. 
Logo que cheguei à sala ela esperava sentada no sofá. Sentei ao seu lado e abracei-a. 
- Eu queria agradecer por estar aqui apesar de tudo. Eu não sei nem se tenho ideia do tamanho do seu amor por mim. Eu sinto muito se te magoei ou se te magoo, mas estou tentando, eu juro. Quero que a gente seja feliz. 
- Eu sei, eu sei tudo sobre você. – Ela me olhou sorrindo. – Você estar aqui basta pra mim.
Ela então abriu meu presente, uma joia com um pingente de estetoscópio com as coisas de colocar na orelha em forma de coração pra uma cardiologista aplicada. Crescemos juntos e eu tinha muito orgulho dela.

Liz POV.

Meu pai andava bem estranho. Ele estava brigando demais com a minha mãe e eu estava desconfiada. Não largava mais do celular, trocando mensagens, e eu sabia que aquilo não era uma boa coisa. Ele foi me levar na escola de manhã, no ultimo dia de aula e seu celular apitou. Ele atendeu a ligação assustado, e estava escrito Marcelo.
- Daqui a pouco chego ao consultório. - Ele disse.
- Onde você está? – Uma voz de mulher respondeu e eu me assustei. 
O telefone estava alto.
- Levando a Liz na escola. Tchau.
Minha mãe ia ficar em casa hoje, tinha medico e não ia ao consultório. Assim que ele me deixou, parou no semáforo mais a frente. Bia estacionou o carro e eu tive uma idéia.
- Tia, me leva pra seguir meu pai? – Pedi pra ela rápido.
- Como assim Liz? 
- É importante.
- Entra. 
- Entrei no banco de trás e Bia entrou pra escola sem entender muita coisa. Então, seguimos meu pai bem discretamente. Expliquei pra ela no caminho e assim que ele parou o carro, eu soube que tinha algo errado. Era uma casa, no bairro vizinho. Ficamos de longe vendo e uma mulher loira veio até ele e abriu o portão, saiu pra fora e deu lhe um beijo na boca. 
- Meu Deus Liz. – Mãe de Bia falou. – Você tem que contar pra Lucia.

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25º - Eu agradeço por Deus ter te colocado na minha vida!

Duas semanas depois...

Luan POV.

Fazia dois dias que estava na estrada quando recebi a noticia de um acidente com um cantor sertanejo. Ele voltava de um show quando o carro capotou na estrada e morreu. E é claro que fiquei bem mal na hora. Ele era meu amigo e, além disso, ainda me coloquei no lugar do cara. Imaginei se fosse eu que não tivesse como cantar amanhã, ou abraçar minha família. Podia muito bem ser eu perdendo a chance de acordar outra vez.
Fiz meu ultimo show bem triste, estava bem mexido com tudo o que estava acontecendo, pessoas me perguntando dele e tudo mais que todo mundo estava comentando. O clima do show, da equipe, das entrevistas, tudo era diferente.
Chorei bastante aquela noite como poucas vezes me permiti chorar. Deixou-me vulnerável. Pensei muito na minha vida, se estava fazendo o que eu gostaria de fazer. Se tudo acabasse hoje, se estaria feliz, e eu sabia que a resposta era não, o que só piorou minha situação.
Não via a hora de chegar a casa, na verdade, de ficar sozinho, e isso só aconteceu na segunda-feira pela hora do almoço. Fiquei na casa da minha mãe já que Paula estava trabalhando e almocei por lá sozinho com ela. É claro que ela comentou do ocorrido, me abraçou mais forte do que o comum, mas eu dei um jeito de disfarçar meu estado e encerrar o assunto.
- Essa semana tem aniversario da Paula.
- Vou comprar o presente amanhã.
- Quer ajuda?
- Quero, eu não sei bem o que fazer. – Disse sincero. – Estou me esforçando mãe.
- Mas não está bastando.
- Não, está. Tudo tem que acontecer devagar. Não vai ser da noite pro dia, e acho que estamos caminhando.
- Fico feliz meu amor. – Ela me olhou. – Eu quero te dizer uma coisa.
- Se for sobre Liz... – Disse ficando nervoso.
- Escuta. – Aceitei. – Eu sei que eu fui contra, e não me arrependo, não muito. Mas eu queria que soubesse que se pudesse dar certo, eu apoiaria. Eu te amo meu filho, eu quero te ver feliz acima de tudo, mas precisávamos fazer algo por você. É pra isso que os pais existem. Eles são os olhos do filho quando ele está cego.
- Eu nunca estive cego mãe. Mas já passou.
- Você não se encontrou mais com ela? – Relutei e virei o olhar. – Seja sincero comigo, quero te ajudar, e não vou falar pro seu pai.
- Encontrei. Uma vez.
- Quando?
- Depois do casamento, quando pousamos no Rio. A gente conversou, mas nada demais, eu precisava me despedir dela. E vi-a faz umas duas semanas. Mas não falei com ela.
- Viu?
- Quando fui pra fazer um show no Rio. Foi meio que sem querer. Mas não importa mais mãe, eu só estou seguindo em frente. E ela...
- Ela?
- Estava com outro quando a vi pela ultima vez.
Ela ficou algum tempo sem saber o que dizer.
- É o melhor pra ela.
- Eu sei. Paula está me fazendo bem também.
- Ela te ama. – Sorri.
Ela pensou por alguns segundo e disse:
- Sabia que havia te incomodando.
- Não tem nada disso. É esse acidente. Mexeu um pouco comigo. Eu vou pra casa, acho que preciso ficar com pouco sozinho.
- Come o doce da mamãe primeiro.
- Tudo bem Dona Marizete. – Respondi rindo.

Assim que consegui fugir das comidas da minha mãe, fui pra casa. Fiquei o dia toda na minha, quietinho, sem muita ação. Não comi muita coisa também, mas precisava ficar assim pra botar a cabeça no lugar. Paula só chegou pelo começo da noite, animada, e aliviada de me ver. Apertou-me muito em seus braços, e eu me senti em casa. Pelo visto aquele acidente havia mexido com todo mundo. Senti minhas lagrimas caírem e nem acreditei que ia chorar perto dela.
- Você se sentiu mal não é?
- Muito. – Disse.
Sentia tanta falta dela como amiga que não me segurei.
- Vem aqui...  – Paula me colocou em seu colo e eu fiquei, deixando todo o sentimento ruim tomar conta de mim pra sair de uma vez.
- É como se eu pudesse estar no lugar dele...
- Tem que tomar cuidado, por favor...
- Claro, eu vou tomar, bem mais agora, mas você entende o que eu digo?
- Eu fiquei tão agoniada quando vi na TV, como queria você aqui... Mas Deus sabe o que faz, ele te protege e vai voltar sempre pra mim. – A abracei mais forte. – Está tudo bem, você está aqui agora meu amor. Está com a sua família. Sua mãe me disse que você foi ver ela. Eles te amam, seus fãs, seus amigos, e eu. Deus está cuidando de você sempre.
- Amém. – Sorri secando as lagrimas. – Eu agradeço por Deus ter te colocado na minha vida, e te ter agora, por que eu não sei o que faria se a vida tivesse me tirado Liz como tirou e eu não tivesse você.
- Você precisa saber que estarei aqui e pro que você precisar sabe disso não sabe?
- Estava sentindo falta, da minha amiga.
- Não precisa, por que eu ainda sou ela. Somos casados, mas ainda quero que me veja como a amiga que eu sempre fui. Faço tudo por você Luan.
- Eu sempre fiz nesses anos todos e vou fazer por você também.
- Nada precisa mudar.
- É bom te ter Paula, eu não me sinto tão sozinho.
- Eu sei que você ainda não me ama, mas eu espero que um dia...
- Eu também espero. – Disse acariciando seu rosto.

Liz POV. 

Depois de tudo que aconteceu com Luan, minha relação com meus pais não era muito boa, o que nos deixava em conflito sempre, mas aos poucos, depois que me deixaram respirar, as coisas voltavam ao normal, mas comecei a achar algumas coisas estranhas. Na mesa em um dos dias, minha mãe criticava contando sobre uma amiga que dizia estar apaixonada por outro alem do marido. Eu fingia que prestava atenção, mas a surpresa veio quando meu pai, que sempre condenou traição, deu uma declaração estranha.
- É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo. – Disse como se fosse normal e nós duas lhe olhamos.
- Mas não é você que acha que não? – Minha mãe questionou.
- Não necessariamente. – Meu pai nos disse olhando. – Você mesmo que disse Lucia.
- Às vezes, quem sabe, mas você nunca concordou.
- Eu acho que mudei. Sei lá, tanto faz. – Disse voltando a comer.
- Pra mim basta uma. – Disse e ele já me olhou torto.
- Você pode me afastar dele pai, mas não vai mudar o que eu sinto.
- Ele está casado.
- E nós sabemos por que. – Me levantei. – Mas tanto faz agora, você conseguiu.
- O amor acaba Liz. – Ele me disse.
- Nunca foi o que você me ensinou.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

24º - Esses filhinhos de papai...

Dois meses depois...

Luan POV.

- Sua mala já está certinha meu amor. – Disse Paula entrando no quarto enquanto eu colocava a camiseta pólo.
- Muito obrigado querida. – Disse quando ela me abraçou pelas costas, me virou em seguida e ajeitou a cola da camiseta.
Paula iniciou um beijo de despedida bem intenso.
A gente agora se dava melhor. Eu não a amava, mas quando eu consegui aceitar o que tinha acontecido eu passei a ver que seria mais fácil se eu soubesse conviver com ela. Dava-lhe carinho, cuidava bem dela, e ela, me amava completamente, cuidava de mim com carinho e estava sempre ao meu lado. Claro que as coisas foram seguindo um progresso, o gelo entre a gente, imposto por mim, foi quebrando aos poucos, com força de vontade de fazer algo por ela, já que eu gostava dela e não queria magoá-la. Paula me dava apoio nos momentos difíceis e me ajudava com a carência. Pela primeira vez, mesmo querendo que isso não fosse necessário, eu vi que poderia dar certo. 
Logo que entrei no carro e ela me deixou no aeroporto, depois de atender as meninas, voamos pro Rio. 
Logo pro Rio.
Era a primeira vez que eu voltava lá depois de estar com Liz no dia da despedida. Paula de inicio pediu pra voltar, mas teve um compromisso de ultima hora com as consultas do escritório e não conseguiu. Meu coração estava apertado, não sabia como ia reagir ali novamente. Estava com saudades da minha menina, sentia sua falta, mas eu não podia ir atrás dela depois de ter negado sua proposta. Ela também tinha o direito de ser feliz. Eu queria muito que ela fosse, apesar de não suportar a falta de noticias. Até preferia por esse motivo que Paula estivesse comigo. 
Assim que entrei no avião cumprimentei meio sem graça o Roberval. Depois que ele voltou de licença, veio falar comigo e pedir mil desculpas, mas eu já tinha decidido enterrar tudo e mandei-o esquecer. Claro que isso não mudou muita coisa já que nossa relação ficou meio estranha em seguida, mas eu já tinha acertado ele com um soco depois de saber o que ele tinha feito e antes da licença, então tudo certo. Aos pouco eu esperava que tudo fosse voltar ao normal. 
Alugamos um carro pra conseguir entrar no hotel assim que chegamos e então fomos direto pro show numa cidade vizinha ao Rio. Lotado como sempre, me fez muito bem, e realmente, Roberval tinha razão, aquele era meu lugar. Os palcos me distraíram muito da tensão que era aquele lugar, mas me peguei olhando pros lado em busca do seu rosto no meio da multidão. 
Depois do show, a medida que voltava pro Rio, sentia o coração bater forte, esmagar o peito. Fiquei o caminho todo em silencio, me sentindo estranho e só piorou quando chegamos o hotel, o mesmo que eu e Liz sempre nos encontrávamos. Tomei um banho com as lembranças vindo à tona. Aquele quarto era igual aos que nos vimos tantas vezes, e eu podia a ver nua dentro da banheira, jogada na cama rindo de alguma coisa, ou até podia sentir o nosso cheiro no ar. 
Foi difícil dormir, mas eu consegui logo amanhecendo. Ainda era sexta-feira, e havia mais três show do fim de semana, eu precisa descansar, mas não consegui muito. Acordei quase perto do almoço, assustado, angustiado, com o coração apertado. Eu precisava ver seu rosto, olhar pra ela, apenas. 
- Meu Deus, eu não posso... – Fechei os olhos e passei as mãos pelo rosto. 
Meu coração batia rápido, nervoso e num ato de coragem levantei com tudo. Procurei uma roupa pelo meu quarto e me arrumei rápido, colocando uma touca mesmo. Disquei o quarto do motorista e pedi pra ele me encontrar lá na garagem. Assim que cheguei já encontrei ele na frente do carro.
- Não vai chamar o Well pra sair? – Ele perguntou.
- Não, eu vou sozinho. – Peguei a chave do carro. – Não fala pra ninguém que eu sai, só se sentirem minha falta. 
Ele afirmou e eu já entrei no carro dando partida. Sabia bem o caminho e estava na hora da saída de Liz, se não pegasse transito, conseguiria chegar em cima da hora. 
Dirigi um pouco apressado e assim que cheguei, procurei ela, mas não encontrei. Nenhum de seus amigos. Um desespero tomou conta de mim, eu não tinha ido até ali pra dar de cara com nada. Avancei um pouco na rua e avistei ela andando um pouco mais a frente, no sentido oposto a sua casa. Respirei aliviado, mas curioso ao mesmo tempo.
Ela caminhava ao lado de um menino, devia ter sua idade, mas não vi o rosto. Acompanhei devagar com o carro e decidi ver onde eles iam e quem era que estava com ela. Meu coração batia forte só de imaginar que ela pudesse estar com ele. 
Eles caminharam alguns quarteirões até a praia e então pararam perto de um local que tinha um bar, num lugar bem turístico, mas no almoço de sexta-feira estava vazio. Estacionei o carro num lugar próprio pra isso, um pouco antes deles e parei olhando de longe e rezando pra não ter nenhuma prova que não queria. O rapaz se virou e foi até o bar, não reconheci como sendo um de seus dois amigos. Ela pegou um lugar na praia e tirando a blusa do uniforme, aquela mesma que eu sempre dizia que ela ficava linda, revelou um biquíni lindo, que deixava ela ainda mais gostosa e eu adorei, se ela não tivesse com outro, claro. Comecei a soar frio já, e vi o rapaz voltar com um prato com algum tipo de porção e se sentar na toalha que ela tirou da bolsa. Eles comeram rindo e meu sangue ferveu quando ele brincou com ela, passando a mão sobre sua coxa e depois deu a comida em sua boca. Por um segundo achei que sairia do carro e puxaria ela pelos cabelos, mas eu respirei fundo e travei. Minha ficha começou a cair e comecei a sentir o coração doer. Não sabia se ficava pra confirmar, por que aquilo tinha que ser coisa da minha cabeça, ou então se ia embora pra não ver o desfecho. Minha mente começou a pensar rápido e entrou em pane, então fiquei parado tentando digerir tudo aquilo. Ela era minha, não podia fazer isso... 
De repente, eles estavam se beijando. Eu fiquei tão transtornado de ver aquela cena que não sabia o que fazer e numa atitude desesperada, sai do carro em direção a eles, mas a minha sorte foi que uma menina cruzou a minha frente e me pediu uma foto, me fazendo voltar à razão. Assim que atendi a menina, eu voltei correndo pro carro me segurando muito pra manter uma direção. Eu só pensei em sair dali, então entrei no carro e sai cantando pneus.

Liz POV.

Assustei-me muito com o carro e virei, empurrando um pouco Leonardo. Quando olhei pra dentro do veiculo conseguia jurar que vi Luan, mas ele já tinha saído cantando pneus e logo estava fora de vista.
- Olha o carro do cara... – Olhei pra ele meio perdida.
- O que?
- Esses filhinhos de papai, com carro importado, se acham mesmo, pra sair com o carro cantando pneus.
Por um segundo eu consegui jurar que era ele, e ele tinha visto. Meu coração bateu mais forte de imaginar ele tão perto novamente, mas apertou de achar que se fosse ele, eu viu eu com Leonardo. Eu tinha certeza que era, e eu podia sentir. 
- Não fala assim, você nem conhece ele.
- Você conhece? – Ele se aproximou rindo e ia me beijar novamente, mas eu me esquivei nervosa. 
- Não.
- Esquece o cara lá e me dá outro beijo vai...
- Eu vou dar um mergulho. – Disse me levantando e indo em direção ao mar.
Comecei a ficar com Léo fazia umas duas semanas. Ao mesmo tempo que era bom ficar com alguém e tentar seguir em frente, eu ainda me sentia estranha com outra pessoa. E também, meu pai me viu com Léo uma vez e quase que pagou um dote pra ele se casar comigo logo. Estava fora dos castigos também, e isso fazia toda diferença na minha vida.
Leonardo era legal, mas algumas coisas nele me irritavam, muito moleque, babaca até, o que confesso que não me deixava deixar de comparar ele com Luan, que já era homem e não tinhas essas coisas. Luan tinha maturidade, sabia como cuidar de mim e pra ser bem sincera, eu amava me sentir nas mãos dele. 
Assim que entrei no mar, tentei me acalmar e deixar as ondas levarem minha tensão. Eu estava ficando louca, vendo ele em todos os lugares. Mas sabia também que Luan estava no Rio e isso estava me deixando nervosa e ansiosa.

Vou surpreender vocês, aguardem vai...
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

23º - Tudo mais leve...

Uma semana depois...

- A gente só precisa quebrar o gelo. - Disse suspirando. – E então, vamos ser o casal perfeito. – Fui bem irônico.
- Luan, vocês se conhecem há anos, isso não pode ser tão difícil. – Marquinhos falou pela milésima vez. Rober era mais fácil de conversar, mas isso não tinha acontecido mais depois que dei um soco nele numa conversa sobre Liz e telefones na mesma frase.
Levantei do sofá do quarto de hotel e fui até o frigobar. Peguei um uísque e servi em dois copos, levando um pra ele.
- Eu não dormia na mesma cama que ela, é diferente. – Falei dando um gole. – E confiava nela. 
- Ela errou, eu sei, mas se quer fazer isso dar certo, tem que superar isso. Ou desiste.
- Não é uma opção no momento.
- E quanto ao Rober?
- O que tem aquele idiota?
- Vai demitir ele?
- Não... – Falei. – Bom, acho que não. 
- E como vão ficar?
- Também não sei. – Dei de ombros. – Quem pediu licença alegando estresse foi ele. Quem fugiu foi ele. 
- Ele faz falta na equipe.
- Você tirou fotos bem hoje. – Dei de ombros mais uma vez.
- Mas eu não posso tirar todos os dias. Vocês vão ter que conversar. – Ele falou exaltado. – E para de fazer isso com os ombros, não é tanto faz, isso importa.
- Ele não podia.
- Ele fez por você.
- Não torna isso certo.
- Mas talvez tire o erro. – Ele falou se levantando e pegando a garrafa da minha mão. – Você devia falar com ele. Eu não preciso me preocupar com bebidas, certo?
Assim que entendi o que ele tinha falado, eu me irritei.
- Eu não vou pirar! E nem virar um bêbado.
- Tudo bem, só se cuida. Eu vou dormir, estou cansado. Você devia fazer o mesmo.
Assim que ele virou as costas, eu o chamei novamente. 
- O que?
- O que posso fazer quanto a Paula?
- Leva um presente a ela. Ela vai cuidar do resto. – Ele saiu. 
Levar um presente, tudo bem. Respirei fundo. Eu tinha que fazer aquilo dar certo, e foi pensando nisso que fui até o shopping da cidade comprar um presente pra ela. Não queria nada demais, apenas algo simples. Então, escolhi um vestido. Aquilo deveria servir pro que eu estava planejando. Eu só queria me aproximar dela, e podia tentar dessa forma. Não pretendia me apaixonar, só que vivêssemos em paz.

Cheguei em casa na segunda-feira e não encontrei ninguém. Deixei a mala e a sacola sobre o sofá, assim como a minha camiseta tirada na hora e fui até a cozinha. Estava com fome e assim que abri a geladeira dei de cara com muitas coisas que eu gostava. Peguei um pote com muitas melancias cortadas nela e sentei-me à mesa, comendo. Não demorou muito pra escutar a porta de abrindo. Continuei o que fazia e logo ela estava na cozinha sorrindo.
- Chegou cedo.
- Tenho um presente pra você.
- Pra mim? – Pareceu surpresa. Fazia dias que não conversávamos direito.
- Sim. – Olhei pra ela enfim e fechei o pote, guardando. – Onde estava?
- No consultório. Chegaram os últimos vidros, e ele ficou pronto.
- Que ótimo.
Segui até a sala e peguei sua sacola, a sentindo caminhar atrás de mim. Me virei e estendi a sacola em sua direção. 
- Espero que goste. 
Ela pegou com um sorriso enorme e sentou, abrindo ela logo. Estendeu o vestido a sua frente e sentei no sofá ao seu lado. 
- Eu amei, é lindo Luan. Você tem muito bom gosto. – Sorriu pra mim. – Muito obrigado.
- Experimenta. – Sugeri, sem sabe muito o que falar e ela saiu subindo as escadas depressa demais pra mim acompanhar. 
Depois de alguns segundos Paula desceu e me surpreendi um pouco. O vestido realmente havia ficado bom nela. Ela era bonita, tinha um corpo bonito, nada parecida com Liz, porém. Era alta, quase do meu tamanho, loira e com boas curvas, e pernas bem mais grossas que as magras de Liz. 
- O que achou? 
- Ficou lindo. – Fui sincero.
- Caiu perfeitamente. – Ela rodou e me olhou sorrindo em seguida. – Quero usar hoje, podemos jantar fora?
- Por mim tudo bem. – Falei. 
Então ela veio até mim e me colou nossos lábios, iniciando um beijo intenso.
- Estava com saudades de você.
Abracei ela e fiquei quieto por alguns segundos, meu coração batia forte. 
- Senti sua falta. Venho, sentindo muito. Da sua amizade e tudo mais. – Enfim olhei em seus olhos.
- Me desculpe, eu trai sua confiança e posso ter me esquecido que tudo que precisava era de um pouco de apoio.
- Esquece isso.
- Quer conversar?
- Não. – Fui sincero. – Eu só preciso da minha esposa agora. – Abri um sorriso e puxei seu rosto pra mais perto de mim, dessa vez tomando a iniciativa do beijo.
Então logo estávamos na cama e eu descontei ali toda a tensão e tudo o que estava me pensando. Usei seu corpo pra me sentir leve, depois fiquei em silencio, fitando o teto enquanto ela dormia em meus braços. 
Eu tinha um grande carinho por Paula, e era só disso que eu precisa me lembrar agora. E então tudo ficaria bem. Tinha que ficar.

Levantei meio perdido no dia seguinte e então escutei barulhos do andar de baixo. Minha garganta doía um pouco, nada demais, e então me levantei e me troquei. Assim que cheguei a cozinha, Paula conversava com meus pais.
- Filho!
- Até que enfim, come alguma coisa. - Paula me olhou sorrindo e puxou a cadeira ao seu lado.
Dei um beijo em cada um deles e depois um selinho em Paula, e sorrindo pro meus pais, me sentei ao seu lado. 
- Bom dia pra todo mundo. 
- Está um pouco rouco. - Paula se levantou e voltou com um comprimido enquanto colocava suco pra mim. - Vai se sentir melhor.
- Obrigado.
Então, uma conversa se iniciou sobre muitas coisas, principalmente sobre o consultório novo de Paula. Eu parei um pouco e percebi que podia deixar tudo mais leve, mas... Isso não tinha nada haver com amor.

Liz POV. 

- Parabéns! – A professora de Biologia me estendeu uma prova e sorriu. 
Assim que peguei o papel na mão, sorri. 10. 
Ela saiu saltitante e eu não me senti de repente tão feliz. Juntei a prova as outras 5 que estavam no meu caderno. 10. 10. 10. 10. 10. Agora eram cinco, e eu não precisava mentir pra mim mesma.
Desde que mandei Luan embora, eu só isso que eu fazia, estudar. 
Minhas notas não podiam ser diferentes. Ainda sem internet e celular, e sem sono também, eu sempre parecia ter mais que 24 horas no meu dia, e pelo menos 25 delas, eu estava passando nos livros. Ótimo, isso ia servir pra alguma coisa.

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

22º - Deus sabe de todas as coisas.

Perdi o tempo de ficar ali, parado em frente a sua casa. Com o olhar distante e os olhos molhados, não conseguia acreditar que tudo tinha acabado daquela maneira. Um amor tão puro e grande, jogado pela janela. Só me despertei quando meu telefone tocou. Olhei no visor e era Paula. Mas eu não queria falar com ela. Mesmo chorando um pouco, voltei pro local em que estava com ela. Estacionei o carro e me sentei na areia branca da praia. Fiquei ali por um bom tempo, só pensando, ou nem isso, já que esvaziei minha cabeça. Permiti-me esquecer de todo, e só sentir o vento batendo no meu rosto. Tudo tinha mudado em tão pouco tempo, eu não me sentia mais eu mesmo, e agora também não sabia o que ia fazer da minha vida. Fiquei um bom tempo ali, e quando sentia alguém perto, abaixava a cabeça. Somente via as ondas indo e vindo e o sol mudando de posição. Só fui lembrar que precisava voltar pra realidade quando começou a escurecer. Voltei pro hotel devagar, já sabendo o que ia enfrentar. Paula devia estar furiosa achando que eu estava com Liz a tarde toda. E eu estava certo. Assim que passei pela porta do hotel, vi-a ela levantar da cama na minha direção.
- Onde você estava?
- Na praia.
- Com Liz? – Respirei fundo e encostei-me à parede.
- Não, não estava com ela e com ninguém.
- Mas você saiu daqui pra encontrar ela.
- E encontrei. Conversamos por no máximo meia hora e levei-a pra casa. Foi tudo muito rápido pra mim, eu precisava ficar um pouco sozinho, mas devia ter te avisado, me desculpe.
- Fiquei preocupada.
- Eu sei. – Passei a mão pelo rosto. - Eu não devia ter ido e deixar você sozinha, mas eu precisava... Despedir dela.
- E agora? – Ela disse se aproximando. – Está tudo enterrado?
- Sim, está. – Falei, desviando o olhar dela. – Estou... Chateado com você.
- Por quê? – Ela me olhou assustada.
- Por que não respondeu as mensagens da Liz? Melhor, não precisa me responder. – Passei a mão pelo rosto.
- Eu...
Senti meu sangue subir e bati com força na mesa.
- Porra Paula! - Gritei. - Era escolha minha ta legal? E por que nada mais da minha vida parece ser escolha minha?
- Mas são. Você está aqui, casado comigo, por que quis. - Respirei fundo a vendo falar com tensão. - E creio que ela também te deu alternativas hoje.
- Isso não tem nada haver com Liz. - Gritei. - Estamos discutindo a maneira como você não me deu alternativas! - Apontei o dedo na direção dela nervoso.
- Você não entende. - Ela falou calma.
- Entendo. Achei que fosse minha amiga, mas ninguém é meu amigo. Nem você, nem... - Parei, pensei no Rober. - Nem ninguém.
- Está enganado. Eu sou sua amiga, eu te amo, e é por isso que não quero ver você se afundando por essa garota, assim como todo o resto que botou o dedinho nesse conto de fadas que vocês dois acharam que viviam, mas só criaram na cabeça de vocês. Conto de fadas que ia acabar muito mal, mas não pra ela, pra você.
- Se me amasse me daria escolha.
- Eu tinha que...
- Sabe por que eu a amo? - Disse calmamente e vi ela se assustar. - Por que se ela estivesse no seu lugar, ela me daria uma escolha. Alias tudo que ela sempre me pede, é que eu não aceite não ter escolha, sobre nada que todo mundo acha que pra mim, tanto faz. Por que não é tanto faz. Eu queria escolher desde a roupa que vou usar, até se quero me afundar ou não. - Respirei fundo. - Mas agora, tanto faz, todo mundo venceu. - Dei de ombros. - Vou tomar um banho, e vamos jantar fora. Estou com fome, não jantei.
- Tudo bem, já tomei, vou me arrumar.
- Compro uma passagem depois e vamos pra casa.
- Não prefere esperar, dormir aqui e amanhã cedo esperamos seu avião? Podemos ir à praia pela manhã.
- Quero ir embora daqui... – Pedi.
- Mas você me deixou sozinha aqui o dia todo, vai, por favor! – Ela se aproximou e me abraçou. – Me desculpa, pela Liz. Eu fiz isso por que... - A interrompi.
- Tudo bem, não faz diferença mais. Tanto faz o motivo pelo qual você fez isso. Não vai mudar nada. – Disse indo me soltando e entrando no banheiro, mas voltei. - Só pra você saber, estou aqui por ela. Ela me pediu pra seguir em frente, e eu vou, mas por ela. Então acredito que vai ser melhor pra todo mundo, principalmente pra você, não tocar mais no nome dela.
Tomei um banho bem devagar, pensando em como tudo aquilo, passar a vida longe dela me parecia horrível, e conviver com o fracasso de não ter conseguido, também. Sentia-me fraco e impotente. Chorei, pra minha vergonha. Eu sempre fui o tipo de cara que não achava muito normal homens chorarem, mas parecia que Liz não conseguia me deixar levar isso também adiante. E quando sai, dei de cara com Paula já bem produzida.
- Devemos levar as malas e fechar a hospedagem? – Disse baixo me vendo colocar a ultima coisa, meu relógio.
- Achei que quisesse ir à praia.
- Não precisa.
- Pois vamos ficar.
- Seu pai ligou, hoje à tarde.
- E o que contou pra ele?
- Disse que estava dormindo, cansado da viagem.
- Acho que não queremos problemas, temos algo em comum. – Sorri fraco.
Eu não estava mentindo, faria o que Liz pediu, por ela.

Liz POV.

Eu não conseguia acreditar que havia aberto mão dele. Não, não e não. Assim que cruzei a porta da minha casa, já senta as lagrimas descerem. Amor devia ser mais forte que tudo. Aquilo não era certo. Mas de alguma forma, algo confortava meu coração: saber que ele ficaria bem.
A vida de Luan era bem maior que eu, enquanto a minha girava ao redor dele. Lembrava-me perfeitamente de um dia dizer a ele, que se algo acabasse, seria bem mais fácil pra ele, seguir em frente. Isso por um lado, me deixava feliz, por outro, nem tanto.
Levantei-me do sofá uns vinte minutos depois, decidida que sobreviveria e tudo dariam certo. Coloquei uma lasanha no micro-ondas, pensando no que eu tinha pensado quando achei que a gente poderia ter uma historia. Com certeza, em nada real.
Depois de comer de uma maneira que poderia arrastar meu almoço pelo resto da tarde, eu me permiti deitar na minha cama e chorar por muito tempo. Era isso tudo que eu fazia quando me sentia fraca, ou quando não tinha uma saída pras coisas. E nem poderia ter. Era só uma garota de 16 anos, pequena, e imatura. Eu não fazia ideia da vida, só sabia que queria que Luan me ensinasse o que eu precisava saber.
Fui surpreendida com Bia tocando a campainha da minha casa quando lá pelas seis. Levei um susto quando ela pulou no meu colo e me abraçou forte.
- Como sabia que eu precisava de você? – Perguntei, voltando a chorar.
- Eu imaginei. – Ela me soltou e sorriu fraco, depois entramos.
- Eu o mandei seguir em frente. – Disse olhando pra ela e sorri fraco, secando as lagrimas.
- Tem certeza?
- A gente já conversou sobre isso e sobre ser a amante.
Ficamos em silencio alguns segundos.
- Você fez o certo Liz.
- Mas por que parece tão errado?
- Vai passar. – Ela me fez carinho. – Trouxe chocolate e filme de adolescentes. – Ri. – Liguei pro seu pai e inventei uma historia muito louca, então vou passar a noite aqui, e eles vão chegar tarde.
- Que ótimo, por que eu não ia querer que tivesse que fingir uma cara de alegria agora.
- Finja que temos problemas com o dever de escola e vai dar tudo certo. – Ri.
Contei a ela por cima de todas as novidades.
- Vai passar não vai? – Perguntei suspirando.
- Deus sabe de todas as coisas amiga, e eu estou com você pro que der e vier. A gente vai dar um jeito. Ano que vem, eu vou pra UFRJ, e você vai pra onde quiser. – Ela riu.
- Sua confiança me mata. – Ri. – Mas, Deus sabe de todas as coisas.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

21º - Me promete que vai tentar ser feliz?

Assim que fechei os olhos achando que sentiria ela enfim nos meus braços, o que senti foi um tapa na cara. Meu mundo parecia estar indo do paraíso ao inferno em segundos. Coloquei a mão no local e abri os olhos assustados. Liz me olhava já chorando com uma cara nada boa. Eu devia ter imaginado essa reação. Respirei fundo encarando ela e passei a mão pelo rosto. 
- Liz, olha, vamos conversar...
- Conversar Luan? Conversar o que? Você casou com ela! Seu idiota!
- Eu sei que você deve estar com raiva ta legal? - Disse calmo. - Mas me escuta. Faz uns 2 meses que a gente não se fala!
- E você já casou... - Ela secou as lagrimas. - Você me mandou te esperar Luan. 
- Olha aqui, presta atenção. - Peguei sua mão. - Vamos sair daqui, vou pegar um hotel e conversamos. 
- Não vou a nenhum lugar! 
- Eu não posso ficar com você aqui vai...
- Sua mulher vai descobrir né? - Ela foi irônica. 
- Não, não tem haver com ela. Tem haver com você. E se seu pai descobre? Ele vai infernizar sua vida! - Apontei. - A Paula sabe que estou aqui.
- Conta outra Luan. Você tem 27 anos Luan, não é mais uma criança. Pode tomar suas decisões sozinho. Pensei que seu amor que você diz que sente pudesse fazer você enfrentar todos pra ficar comigo. Que pudesse esperar eu completar 18 anos.
- Eu amo você, Liz. E é por te amar que eu fiz isso, pra que as coisas pudessem se acalmar de novo. Mas eu estou aqui agora... Seria excelente se você me deixasse explicar. - Falei. - Tudo bem?
- Tudo bem. - Ela disse fechando a cara.
Sai dali com o carro e dirigi buscando um hotel que pudesse entrar, mas achei um local vazio na praia e parei.
- Melhor aqui, não é?
- Eu prefiro.
- Bom, como vou começar? Vou ser sincero. Ficaram em cima de mim, eu fiquei desesperado, com medo de não conseguir mais te ver. Por que eu te amo, e nem podia imaginar essa hipótese. Eu não sabia o que fazer, fiquei sem saídas... Mas eu precisava fazer algo. Então eu menti pro meu pai. Vim pro Rio quando falei pra ele que estava em Angra, e então seus amigos me contaram que você estava viajando, e eu me toquei que seu pai estava em cima de você. Eu deixei o telefone, e esperei a ligação e você não ligou Liz...
- Eles perderam, depois a gente achou e eu liguei!
- Enfim, eu falei com a Paula. Ela me propôs o casamento, por que ela gosta de mim e acho que achou que era à hora dela, a oportunidade. Eu pensei, pensei muito, e percebi que era a única forma de conseguir te ver. Casei, mas cada segundo dessa merda eu pensei em você e foi por você que agora eu to casado. - Ela me olhava chorando. - Eu sei que fiquei desesperado, que fiz loucuras, mas eu prometi pra você que faria tudo que pudesse por você, você consegue sentir meus sentimentos Liz... E agora se estou aqui é por que todo mundo acha que eu resolvi seguir a vida sabe? Por que se não, eu não estaria aqui. E acho que nem você. E agora eu só queria te abraçar bem forte e me sentir renovado e esquecer tudo que eu passei esses meses todos.
Liz secou as lágrimas, se aproximou. Sorri, afastei o banco pra trás, abri os braços, e acolhi-a neles, bem forte. Puxei seu corpo e coloquei-a sentada no meu colo de lado, de costas pra minha janela.
- Meu Deus minha menina, como estava com saudade... Eu me sinto tão bem perto de você.
- Eu te amo tanto. - Ela se aproximou e nos beijamos com calor, com saudade, com intensidade.
Eu me sentia outro perto dela, me sentia completo, como se não precisasse de mais nada no mundo.
Não nos desgrudamos um segundo. O tempo todo a tinha bem colada em mim e minha mãos passeavam pela sua cintura enquanto ela me tocava a nuca e nossas línguas entravam em perfeita sintonia. Acabamos no animando e virei ela de frente pra mim, encaixando suas pernas em mim. Minhas mãos começaram a entrar dentro da blusinha fina do colégio e ela riu se afastando da minha boca.
- Volta... - Reclamei. - Como faço pra morar na sua boca?
- A gente está na rua.
- Eu sei. - Fiz careta. - Vem cá, - Puxei sua cabeça pro meu peito e ela ficou encostada em mim longos segundos.
Cheirei seu cabelo e fiquei acariciando.
- Meu pai não saiu de perto de mim um segundo. - Ela riu contando.
- E se eu falar que nem o meu? - Ri.
- Mas as coisas melhoraram depois do casamento. Ele está me deixando voltar pra casa sozinha, e ficar de dia sozinha. Mas ainda sim estou proibida de sair e de passar à tarde na escola. E sem celular.
- Por isso não me ligou. Eu queria tanto ter te contado antes do casamento...
- Você não prestou atenção no que eu disse?
- Oi?
- Eu te liguei, e você não atendeu! - Bateu em meu braço brava.
- Que? Quantas vezes?
- Mil vezes, todos os dias! Eu e meu amigo cansamos de te ligar...
- Não Liz... Nenhum número daqui me ligou. - Disse levantando um pouco ela e peguei o celular no bolso. - Só umas fãs e nada mais.
- Fãs?
- É. - Disse procurando o número. - Só esse número aqui. - Mostrei pra ela.
- É do Felipe, o menino que ficou com o papel aquele dia que você veio. - Ela disse sem entender.
- Não, o Roberval disse que... - Me toquei o que tinha acontecido e levei as mãos no rosto.
- Ele disse?
- No dia em que me ligaram e eu não atendi, pela primeira vez. Eu liguei de volta.
- Ligou.
- E fiquei desesperado, pensei que fosse você. E então fui até a casa dele pra ele me ajudar, dei o celular pra ele, fui no banheiro, e então quando voltei ele disse que tinha ligado, que algumas meninas atenderam chorando... 
- Não aconteceu isso. 
- Ainda... Disse que ia atender, por curiosidade. Algumas vezes, e ele sempre me distraia ou convencia que se fizesse isso, as fãs insistentes não iam parar nunca e eu teria que trocar de numero. E eu não queria trocar, por sua causa.
- Eu tentei te mandar mensagens no wpp, mas estava bloqueado. Ele te enganou Luan.
- Não... - Ri nervoso. - Rober não faria isso. 
- Eu também achei que não. Ele apoiava a gente. - Ela disse saindo do meu colo e percebi que ficava nervosa. 
- Eu vou resolver isso.
- Paula viu minhas mil mensagens desesperadas por você e não respondeu também. 
Ficamos um tempo em silêncio. Naquele momento eu percebi como, apesar do nosso amor ser forte, nosso relacionamento era fraco demais. Era exposto pra quem quisesse interferir, e eu sabia que grande culpa disso era somente minha. Eu sentia que podia perder ela a qualquer momento.
- Me desculpa, eu não fazia ideia... - Disse quando vi que ela estava chorando. - Eu imagino tudo que você deve ter passado pela sua cabeça nesse tempo todo. Também não foi fácil pra mim. Eu queria que tivesse sido diferente. - Procurei ela novamente e tentei passar a mão em seu rosto, secar as lagrimas, mas ela empurrou a minha mão.
- Eu te amo muito sabe? Chega a doer... Mas eu não sei se consigo mais Luan.
- Como não? – Disse num sussurro.
- Não sei se posso lidar com isso. Você é casado agora meu Deus!
- Ela sabe e...
- Ela vai saber que ficamos? É um casamento de mentira? 
- Não. 
- Então vocês já ficaram...
- Já. Eu tive que enganar e fingir que era escolha minha. – Eu não podia mentir pra ela. 
- Não consigo. – Disse. – Eu tenho ciúmes de você. – Ela riu nervosa. – Isso é ridículo, mas eu morro de ciúmes. E eu sei que nada vai ser tão fácil assim. As desculpas pra me ver vão acabar. Vai ficar difícil e enquanto você era solteiro era uma coisa, mas agora, eu não quero ser a outra Luan. E não sei como você pensa que eu aceitaria isso...
- Você nunca vai ser a outra Liz. – Suspirei. – Eu me casei por você. Não faz isso comigo. – Supliquei.
- Você tinha que ter me consultado Luan! – Ela chorava. – Eu sei que sou nova e tudo mais, mas eu não sou tonta. Eu sei que isso não vai dar certo. Já parou pra pensar que todo mundo pode estar certo? E se não for mesmo pra gente ficar junto?
- A gente se ama. 
- Mas não basta. 
- Basta se você quiser. – Aumentei a voz, nervoso.
- Eu tenho sonhos, sou nova, a minha vida nem começou. Eu quero casar, ter filhos, construir uma família e ser feliz. Não ser amante Luan.
- E a gente vai casar, e ter tudo isso, quando for a hora certa. – Disse nervoso. – Não faz isso comigo.
- Não sou eu. Somos nós dois. – Ela pegou minha mão. – Eu cansei, a gente não pode mais viver assim. Eu acho que, está me doendo muito isso agora, mas talvez seja melhor seguir em frente.
- Não me ama mais, é isso?
- Claro que não, eu te amo muito! Mas eu não quero ver você com problemas e não quero sofrer mais. Não quero prolongar essa dor. – Seus olhos estavam molhados, como o meu. – Me diz uma coisa. – Ela me olhou nos olhos. – Eu sei que isso é loucura, só tenho 16 anos, mas você estaria disposto a enfrentar tudo por mim?
- Agora? – Minha voz quase não saía.
- Agora. Enfrentar família, amigos, enfrentar tudo, leis e tudo mais. – Me senti mal quando me vi pensando naquilo. Era pra resposta ser afirmativa. 
- Você faria isso?
- Faria.
Fiquei em silêncio alguns segundos e suspirei, aumentando o choro quando me dei conta da resposta.
- Estou disposto a fazer qualquer coisa pra te ver.
- Não foi essa minha pergunta Luan.
- Eu... Não posso. – Falei tão baixo que nem ouvi. – Posso ser preso se seu pai fizer mesmo o que prometeu.
Ela se aproximou da minha boca e iniciou um beijo calmo e lento, depois ficou colado no meu rosto.
- Era o que eu imaginava. Acho que devemos aceitar o destino.
- Não, por favor. Vai acabar assim?
- Pode ser que sim, ou que não. O tempo vai dizer. Quem sabe? – Ela sorriu bem fraco. - Tenta lá, que eu tento aqui. E vou te levar no coração sempre. Me promete que vai tentar ser feliz?
- Prometo. – Me dei por vencido. 
Ficamos juntos por mais algum tempo até ela falar que precisa ir pra casa. 
- Não quero ir. – Disse abraçado com ela.
- Também não quero, mas... Meu pai pode ficar sabendo. E eu não almocei ainda. 
- Tinha me esquecido disso. – Disse me soltando e ligando o carro. 
Dirigi em silencio até o mesmo local que deixava ela. Assim que estacionei, ela me deu mais um beijo e um abraço muito apertado e sorriu com lagrimas nos olhos. Antes de sair do carro, me olhou com toda sua delicadeza de menina e recitou: 

“A razão pela qual a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos. Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá.”

E então, dessa maneira, ela disse seu adeus.

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domingo, 1 de novembro de 2015

20º - Ele só me usou.

Liz POV. 

Um mês e meio depois... 

Consegui sair da prisão e ir até a casa da Bia, mas claro que meu pai iria me deixar na porta. Conversei com sua mãe e logo subi. 
- Amiga, que bom que chegou. - Ela disse com uma cara estranha quando abriu a porta do quarto e fechou novamente. 
Joguei minha bolsa no canto e sentei na cama. 
- Enfim uma noite fora daquele presidio, não aguento mais, e Luan não dá noticias...
- Eu preciso te mostrar uma coisa. - Ela me olhou receosa.
- O que?
- Eu te disse né, que estava vigiando tudo, eu olho pelo menos duas vezes por dia as notícias já que você estava sem internet, e então eu achei algo hoje, depois fui até a banca de revista e... 
- Fala logo, você está me assustando. - Bia suspirou e fui até sua bancada de estudos. 
Do meio dos livros ela pegou uma revista. 
- Sinto muito amiga, nem sei como te falar isso. 
Assim que ela me estendeu consegui ler aquelas palavras na capa. 
"O Casamento Surpresa de Luan Santana."
- Para de brincar comigo. 
- Me desculpa, mas é sério. 
Pegou com tudo a revista e já senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto enquanto achava a matéria. Assim que abri, já havia uma foto enorme de Luan com Paula. 
Aquela foi a maior surpresa da minha vida.
- O que ele esta fazendo? - Perguntei. 
- Eu também não entendi nada amiga. 
Luan, de terno, lindo, beijava Paula, vestida de branco. Ela tinha um sorriso enorme entre o beijo, e a cara de apaixonada de sempre. Já Luan, eu não consegui decifrar. 
A reportagem dizia como o casamento havia surpreendido a todos, que nem sabiam que os dois estavam juntos. Luan se declarava com palavras simples enquanto Paula parecia mais encantada impossível. O texto ainda explicou que os dois estavam juntos a um ano, mas Luan tinha medo do assédio em cima da mulher e que quando resolveram se casar, não sabiam mais como assumir. O casamento havia sido na chácara, no civil somente, para as pessoas mais próximas.
- Como que ele... Fez isso comigo? - Sussurei. Minha voz mal saia. 
- Não sei. - Ela disse sincera. 
- Ele me mandou esperar Bia... - Exaltei. - Ele veio atrás de mim! Dai dá um mês e... Ele casa? Como assim?!
- Não sei o que te dizer amiga. Ele deve ter um plano.
- Belo plano! - Ri nervosa enquanto andava de um lado pro outro com as mãos na cabeça. - Ele só me usou, só pode. 
- Liz, não. A gente sabe que não! 
- Não sei de mais nada. Eu não sei por que ele casou... Talvez não tenha atendido o telefone por isso. 
- Liz, a gente vai dar um jeito. 
- Não quero mais jeito nenhum! - Falei brava. - Quero que ele se dane e fique lá com a Paula.
- Amiga, presta atenção. Juntos a um ano? Isso é mentira! 
- Mas ele casou! - Falei mais alto. 
- Amiga, ele se aproveitou que faz muito tempo que ele não tem um affair público confirmado. E casou por ela com alguma intensão. 
- Eu não sei o que pensar. - Disse chorando. - A dúvida é o que mais me mata.
- Oh amiga, vai ficar tudo bem, estou com você. - Bia disse me abraçando. - A gente vai resolver isso tudo.

Luan POV. 

Ok, eu tinha feito muita idiotice e agora a ficha caiu. Viver um casamento com Paula se tornou torturante, mas o que me aliviava era que eu tinha uma oportunidade de ver Liz. 
Beijar ela, dormir com ela, era como se vivesse uma vida que não era minha. 
Assim que cheguei da lua de mel, cansado de fingir que estava amando viver aquilo com minha esposa, e que estava apaixonado enquanto ela parecia viver um sonho, eu desembarquei no Rio e já comecei a fazer planos. 
Decidimos dormir ali, já que estava tarde já e é claro que com um empurrãozinho meu. Cansados da viagens, assim que chegamos no quarto, dormimos. 
Acordei somente no dia seguinte, e Paula ainda dormia. Pelas horas, Liz ainda sairia da escola em uma hora. Corri, tomei banho, com cuidado pra Paula não acordar e me troquei. Assim que sai do banheiro e fui pegar meu celular, ela levantou.
- Bom dia amor. 
- Bom dia querida. 
- Onde você vai? 
- Eu acho que vou dar uma volta na praia. 
- Vou com você. 
- Não! - Ela ficou me olhando séria e depois suspirou. 
- Você vai ver Liz. 
- Paula, eu preciso. - Disse me rendendo. - Por favor, me deixa ir. Eu juro que não vai acontecer nada entre a gente, foi escolha minha casar com você. Só preciso terminar tudo de uma forma direita, se não, eu não posso seguir em frente. 
Ela ficou me analisando por alguns segundos e passou a mão pelo rosto. 
- Tudo bem, vai. 
- Eu prometo que eu volto logo. - Fui até ela e dei um beijo pra acalma-la. - E você promete que vai ficar entre a gente? 
- Não vou contar pro seu pai Luan. Vai logo antes que eu desista. 
- Linda! - Ri e mandei um beijos depois sai correndo. 
Tinha alugado um carro na noite anterior pra ir pro hotel, então em poucos minutos estava na porta da escola de Liz, meio escondido. 
Meu coração batia rápido e minhas mãos estavam frias e suadas. Comecei a me olhar pelo retrovisor e arrumar o cabelo que estava bem mal feito pela pressa. Repassei mentalmente o que ia dizer, que na verdade, eu nem lembrava. Tomei o cuidado de tirar minha aliança também. Sai do transe da distração e me alertei quando vi os alunos saindo. Procurei, mas não vi a Liz. Bia saiu e eu gritei ela, que ao me ver, saiu e disparada pro carro.
- O que…?
- Bia, cadê a Liz?
- Ela está descendo. 
- Manda ela me encontrar naquela rua… O pai dela está em cima? 
- Não, desde o casamento.  - Então ela já sabia. Alias, todo mundo sabia. 
- Ótimo! Ela vai?
- Vai, ela vai. - Ela saiu correndo em direção à escola novamente e eu dirigi até o ponto de encontro de sempre. Estava tão nervoso e ansioso que pela primeira vez na vida, senti as borboletas no estômago, mas elas sumiram assim que minha neném bateu no vidro do carro. 
- Meu Deus, não acredito que eu consegui vir te ver… Estou morrendo de saudades... - Disse abrindo meu melhor sorriso e me aproximando para acolher ela nos meus braços. 

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